"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

HISTÓRIA MILITAR NA FRANÇA - MEMORIAL NACIONAL DA GUERRA DA ARGÉLIA E DA LUTA NO MARROCOS E NA TUNÍSIA

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Quase aos pés da icônica Torre Eiffel está instalado outro monumento com referências à História Militar francesa, homenageando os mortos durante as guerras de descolonização no norte da África.

O Memorial Nacional da Guerra da Argélia e da Luta no Marrocos e na Tunísia é um monumento de guerra erguido na Quai Branly, no 7º Distrito de Paris, para rememorar os conflitos de independência que ocorreram na África do Norte francófona entre 1952 e 1962, nos departamentos franceses da Argélia e departamentos franceses do Saara, retrospectivamente chamados de guerra da Argélia (1954-1962) e aqueles situados no protetorado francês deo Marrocos e no protetorado francês da Tunísia, denominada "lutas da Tunísia e do Marrocos" (1952-1956 e, em seguida, 1961 para a crise de Bizerte).

Soldados franceses na Argélia

O monumento homenageia a memória dos 23 mil soldados mortos pela França - franceses e soldados coloniais Harkis -, bem como vítimas civis. Foi inaugurado em 5 de dezembro de 2002 pelo Presidente Jacques Chirac, na presença de Michèle Alliot-Marie, Ministro da Defesa, e Hamlaoui Mekachera, Secretário de Estado para Assuntos dos Veteranos. Em 2003, devido à inauguração deste monumento, a data de 5 de dezembro foi escolhida para instituir o "dia nacional de homenagem aos mortos pela França durante a guerra da Argélia e as lutas no Marrocos e na Tunísia”.


Descrição

O memorial foi erigido por Gérard Collin-Thiébaut e consiste em três monitores eletrônicos verticais configurados em três colunas de 5,85 metros de altura, exibindo, em cada uma delas, as cores da bandeira francesa e informações sobre as pessoas e eventos rememorados:
- Na primeira coluna, percorrem continuamente os nomes e sobrenomes dos 23 mil soldados que morreram pela França no norte da África.
- Na segunda coluna, passam mensagens que recordam o período da guerra na Argélia e a memória de todos os que desapareceram após o cessar-fogo. Em 26 de março de 2010, o governo francês decidiu inscrever nessa coluna os nomes das vítimas civis da manifestação da rue d'Isly, em Argel, ocorridas em 26 de março de 1962.
- Na terceira coluna, através do uso de um terminal interativo localizado no pé do monumento, os visitantes podem ver o nome de um soldado específico, pesquisando entre a lista de nomes na lista.

Aspecto das colunas do memorial. Pode-se ver a  base da Torre Eiffel no canto esquerdo da imagem.

No chão está gravado: "Em memória dos combatentes que morreram pela França durante a guerra da Argélia e a luta no Marrocos e na Tunísia, e a de todos os membros das forças auxiliares, mortos após o cessar-fogo na Argélia, muitos dos quais não foram identificados.

Inscrições existentes no piso do memorial

Placa indicativa

Há também uma placa que diz: "A Nação associa as pessoas desaparecidas e as populações civis vítimas de massacres ou extorsões cometidas durante a guerra da Argélia e após 19 de março de 1962, em violação dos acordos de Evian, bem como as vítimas civis dos combates no Marrocos e na Tunísia, ao tributo pago aos combatentes mortos pela França no norte da África".

O editor do Blog Carlos Daroz-História Militar diante do memorial



Referências
- Decreto nº 2003-925, de 26 set. 2003 – Institui o dia 5 de dezembro como "dia nacional de homenagem aos mortos pela França durante a guerra da Argélia e as lutas no Marrocos e na Tunísia”.

- MERCHET, Jean-Dominique. Guerre d'Algérie: un jour qui ne fait pas date. Libération, 18 set. 2003.


domingo, 10 de dezembro de 2017

QUANDO A MEDICINA MILITAR RUSSA ENTROU EM CAMPO

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Durante séculos, a medicina militar da Rússia permaneceu defasada em relação à dos países da Europa Ocidental. Mas as reformas implementadas por James Wylie e Nikolai Pirogov no final do século XVIII e início do XIX elevou os cuidados médicos russos em campo a um dos mais evoluídos do mundo.

Por Aleksandr Verchínin


A medicina militar chegou tarde na Rússia. No século XVII, quando os exércitos das monarquias europeias já contavam com cirurgiões militares e medicamentos à disposição, os arqueiros russos ainda tratavam seus próprios ferimentos, aplicando ervas curativas e enfaixando as feridas uns dos outros. Na época, a guerra já estava tão evoluída que o número de vítimas em campo de batalha só crescia.

A qualidade do tratamento médico militar na Rússia mudou radicalmente sob liderança do czar Pedro I, o Grande. Quando a Rússia enviou um destacamento do exército para conquistar a fortaleza turca de Azov, em 1695, seguiram navios com suprimentos médicos, e médicos e farmacêuticos acompanharam as tropas de Moscou.

Antes do final do século XVIII, na época em que o país se envolvia em uma guerra após outra em locais variados, os chefes militares entenderam que o conhecimento dos médicos militares era um recurso inestimável.

Depois de cada campanha, os médicos descreviam e registravam as suas experiências, e atlas médicos especiais eram elaborados, detalhando as considerações médicas das salas para operação.

Por volta do século XIX, a medicina militar russa se consolidou entre as mais eficientes da Europa. Durante as guerras napoleônicas, em 1812, os médicos militares do país trabalhavam como um ‘sistema coeso’, com um alto nível de organização na evacuação de feridos do campo de batalha para hospitais da campanha, onde passavam por operações e podiam se recuperar.

Hospital Militar de Moscou, c.1800


Esse mecanismo complexo foi criado pelo escocês James Wylie, que se mudou para a Rússia no final do século XVIII e passou a trabalhar para o czar. Wylie assumiu como objetivo pessoal a garantia de que recrutas e oficiais recebessem tratamento médico para feridas em vez de serem entregues à morte nos campos de batalha.

Por meio de esforços combinados, o número de perdas fora de combate – em tempos de paz – no Exército russo caiu para 10%, em meados do século XIX. Esta, que é uma enorme queda para os padrões de hoje, foi uma conquista ainda maior em uma época que um a cada quatro soldados europeus morria de doenças.

Uma das mentes mais brilhantes da escola russa de medicina militar foi Nikolai Pirogov, que tinha 37 anos quando em sua primeira experiência real em um campo de batalha. Trabalhando do seu escritório, desenvolveu novos métodos para tratamento de feridas e reduziu o número de amputações. Pirogov usou inicialmente cadáveres congelados para simular feridas, um aparente sacrilégio, mas que lhe permitiu criar um novo atlas anatômico – que logo se tornaria indispensável para os cirurgiões militares tanto na Rússia, como no Ocidente.

O cirurgião Nikolai Pirogov


No final da década de 1840, Pirogov finalmente testou seu trabalho em campo, conduzindo mais de 10.000 operações nas forças no Cáucaso, na maioria das vezes usando éter como anestésico. Mas o melhor momento do cirurgião foi na Guerra da Crimeia. Em 1855, durante o cerco britânico e francês de Sebastopol, Pirogov criou um serviço de saúde na cidade.

Cuidando de feridos pela primeira vez com faixas embebidas em amido, como gesso, levaram a uma queda acentuada nas amputações. Pirogov também foi pioneiro no moderno sistema de triagem para classificação de lesões conforme a gravidade. Em virtude dessa prática, algumas vítimas eram operadas diretamente no campo, enquanto outras eram transportadas para tratamento em postos de retaguarda.

Fonte: Gazeta Russa

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

HISTÓRIA MILITAR NA FRANÇA – O MONUMENTO DA GRANDE GUERRA, A ESTÁTUA DO MARECHAL JOFFRE E A HOMENAGEM AO AVIADOR BRASILEIRO MORTO EM CHANTILLY

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O Blog Carlos Daroz-História Militar visitou o município de Chantilly-Gouvieux, localizado no departamento de Oise, na região Hauts-de-France. 

Situada no coração da Floresta de mesmo nome, Chantilly possui, de acordo com o último censo de 2014, 10.861 habitantes. Chantilly é conhecida por seu castelo, que abriga as coleções do museu Condé, e pelo seu mundialmente famoso creme de chantilly. Também é reconhecida internacionalmente por suas atividades equestres: além de seu hipódromo, em que são realizadas duas corridas de cavalos, o Prêmio Jockey Club e o Prix de Diane, a cidade e seus arredores constituem o maior centro de treinamento de cavalos de corrida do mundo. 

O belíssimo castelo de Chantilly


Como em muitas localidades no interior da França, em Chantilly a memória da Grande Guerra é bastante vívida, pois a cidade foi envolvida pelas operações militares e muitos de seus filhos morreram no front, lutando contra os alemães.

Logo no início da ofensiva de 1914 pelo território francês, em 3 de setembro o Exército Alemão entrou na cidade, mas não se instalou ali e partiu no dia seguinte. Apesar de uma breve ocupação do castelo, nenhum dano particular ocorreu à cidade, diferente do que ocorreu nas localidades vizinhas de Creil e Senlis, que foram bombardeadas e parcialmente incendiadas. Após a partida dos alemães, as tropas franceses retomaram Chantilly no dia 9 de setembro.

Cartão postal francês mostrando o Marechal Joffre e os comandantes Aliados durante a conferência de Chantilly, realizada no final de 1915

Depois da Batalha da Marne, o Marechal Joseph Joffre, comandante do Exército Francês, instalou seu Grande Quartel-General (GHQ) em Chantilly, devido à relativa proximidade e facilidade de ligação com Paris por via férrea. A sede do GHQ instalou-se no Hotel Grand Condé em 29 de novembro de 1914, com 450 oficiais e 800 soldados e funcionários de apoio. Joffre ocupou alojamento na Villa Poiret, a cem metros de distância do hotel. Durante a conferência de Chantilly, realizada entre 6 e 8 de dezembro de 1915, o comandante francês reuniu os líderes dos exércitos aliados para definir os planos militares e coordenar a ofensiva Aliada para o ano de 1916.  O GHQ deixou a cidade em dezembro de 1916 para se instalar em Beauvais. 

Chantilly também sediou um hospital militar, distribuído pelo Hotel Lovenjoul e pelo Pavilhão Egler.  Uma das três oficinas de camuflagem pertencentes ao 1º Regimento de Engenharia instalou-se na cidade em 1917, em cabanas especialmente construídas no pequeno gramado perto do hipódromo.  Cerca de 1.200 mulheres, bem como 200 prisioneiros de guerra alemães e 200 trabalhadores civis contratados, trabalharam na confecção e pintura de redes de camuflagem para proteção da artilharia e das viaturas de transporte logístico.

No período entre as duas guerras, a cidade se expandiu em 1928, com o aditamento do distrito desmembrado Bois Saint-Denis da comuna de Gouvieux. 

O editor do Blog diante da estátua do Marechal Joffre

A estátua do Marechal Joffre

Para homenagear o GHQ e seu comandante, um monumento ao Marechal Joffre foi inaugurado, em 1930, na sua presença, na avenida que hoje leva seu nome.  

Outro monumento, adjacente à estátua de Joffre, foi erguido posteriormente, para reverenciar os filhos da terra mortos nas duas guerras mundiais defendendo a França.  Um rápido exame do monumento permite compreender porque em boa parte do país a memória acerca da Primeira Guerra Mundial é bem mais forte do que a da Segunda.  O número de cantilianos (nascidos em Chantilly) mortos no primeiro conflito (180) é 7,5 vezes maior do que as baixas fatais ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial (24).  Tal efeito também pode ser percebido no Brasil, em sentido contrário, com a memória da Primeira Guerra Mundial sendo praticamente apagada pela da Segunda, ainda que o país tenha sido o único da América do Sul a enviar contingentes para os dois conflitos mundiais.

No monumento aos mortos das duas guerras mundiais em Chantilly

Ao lado do monumento destaca-se uma lápide contendo os nomes de dois aviadores mortos em 28 de janeiro de 1918, quando seu avião foi abatido em combate sobre a cidade: o francês Charles d’Albert de Luynes e o brasileiro Luciano de Mello Vieira.  O piloto Luciano Antônio de Mello Vieira era tenente da Divisão Salmson da Legião Estrangeira e voluntariou-se para lutar na guerra em 30 de maio de 1917. Teve vida breve no conflito: morreu aos 21 anos, na queda de seu avião.

Lápide com o nome dos aviadores mortos em Chantilly em 28 de janeiro de 1918, dentre os quais o brasileiro Luciano Antônio de Mello Vieira

Finalizando as referências sobre a Grande Guerra, encontramos na estação ferroviária da cidade uma placa de bronze homenageando os treze funcionários da Ferrovia do Norte mortos no conflito na região de Chantilly.

Placa na estação de Chantilly com o nome dos treze ferroviários mortos na região durante a Grande Guerra

Pela beleza da cidade e de seu castelo e pela riqueza histórica, valeu a pena a visita à Chantilly-Gouivieux.



segunda-feira, 27 de novembro de 2017

II ENCONTRO DE HISTÓRIA MILITAR DO MUSEU MILITAR DO CMS

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MERGULHADORES IDENTIFICAM SUBMARINO ALEMÃO DA I GUERRA MUNDIAL AFUNDADO

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O UB-29 foi encontrado com os corpos dos 22 marinheiros a bordo


Na mesma semana em que ocorreu o desaparecimento do submarino argentino ARA San Juan, as autoridades belgas noticiaram a identificação de um submarino alemão que desapareceu há mais de um século, em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial.

Os submarinos desempenharam um papel importante na guerra de 1914-1918, e a Alemanha combateu a frota de superfície britânica no oceano Atlântico e no mar do Norte com crescente recurso a submarinos - um deles era o UB-29, desaparecido em 1916.

Plaqueta do UB-29 retirada dos destroços pelos mergulhadores para possibilitar a identificação do submarino

O UB-29 era um submarino da Classe UBII, de 300 toneladas, quando submerso. Das trinta unidades produzidas, vinte se perderam durante a Grande Guerra


Os mergulhadores belgas investigaram os destroços do submarino numa rota de navios ao largo da costa da Bélgica, no início deste ano, e as autoridades conseguiram identificá-lo.

Registos históricos mostram que o UB-29 partiu para a sua última missão a 27 de novembro de 1916, com 22 marinheiros alemães a bordo.

O embaixador alemão na Bélgica, Ruddier Ludeking, indicou que o seu país quer que o submarino e os corpos dos 22 marinheiros permaneçam no seu túmulo no fundo do mar.

Fonte: DN e Daily Courier



PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GENERAL CASTRIOTO

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João Nepomuceno Castrioto ingressou cedo na vida militar, seguindo carreira no Exército Brasileiro até o posto de capitão, quando, servindo com Luís Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caxias, foi indicado para comandar a recém criada Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro, atual Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Foi companheiro de longa data de Caxias, tendo seu batismo de fogo ocorrido na Bahia, junto com aquele que seria o patrono do Exército. Em 3 de junho de 1835, o capitão Castrioto, que já se havia distinguido na Guerra da Independência e da Cisplatina, foi nomeado Comandante Geral, exercendo este cargo por mais de vinte e cinco anos, quando foi reformado em 14 de março de 1861, sendo substituído pelo capitão Thomaz Gonçalves da Silva.

Nesse período em que comandou a força policial e nos tempos seguintes, durante trinta e quatro anos, foi deputado provincial da Rio de Janeiro pelo Partido Conservador. Ao término de sua carreira alcançou o posto de marechal, tendo recebido ao longo da mesma a Ordem de São Bento de Avis, no grau de comendador; do Cruzeiro, no grau de cavaleiro; e da Rosa; e a medalha da Guerra da Independência.

Atuou, como comandante da polícia, no combate ao tráfico de escravos no litoral da província fluminense e na pacificação das províncias de São Paulo e Minas Gerais quando das Revoltas Liberais contra o governo imperial, controlado por conservadores. Com a falta de efetivo do exército, agravada pela desmobilização ocorrida durante o período das regências, o Império teve de recorrer às províncias que se alinhavam politicamente consigo, tendo a frente o Rio de Janeiro, que resolveu enviar tropas no dia 20 de agosto daquele ano para a pacificação de ambas as províncias, resultando na emancipação da Província do Paraná. À frente da tropa, para o combate com os paulistas, estava Castrioto.

Com seu nome foi batizado o espadim que era entregue aos cadetes da Escola de Formação de Oficiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, entre 1958 e 1975 e atualmente denomina o quartel do 4º Comando de Policiamento de Área e uma medalha concedida por aquela corporação, além de escolas e logradouros públicos.

Aquartelamento do 4º Comando de Policiamento de Área da PMERJ em Niterói-RJ


Após reformar-se no posto de brigadeiro, recolheu-se à Fazenda de Sant'Anna, cuja sede ficava no bairro de mesmo nome em Niterói, para cuja capela cogitou-se transferir a igreja da freguesia de São Lourenço. Seu filho Carlos Frederico Castrioto foi deputado provincial e do Império, ministro da Marinha e senador da República.

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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

HISTÓRIA MILITAR NA FRANÇA - O TÚMULO DE NAPOLEÃO NA IGREJA DO DOMO DOS INVÁLIDOS

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A Igreja do Domo foi construída como capela real entre 1677 e 1706, com as decorações interiores exaltando a glória de Luís XIV, a monarquia e seus exércitos. Na época da Revolução Francesa, a igreja tornou-se um panteão militar sob a direção de Napoleão Bonaparte, com a instalação do túmulo de Turenne (1800) e um monumento funerário de Vauban (1807-1808).  

Em 5 de maio de 1821, Napoleão faleceu na ilha de Santa Helena, onde havia sido exilado desde 1815. Ele foi enterrado perto de alguns salgueiros chorosos, no "vale do gerânio". Seus restos mortais permaneceram lá até 1840, quando o rei Luís-Philippe decidiu repatriar o corpo do Imperador. Marinheiros franceses, sob o comando do Príncipe de Joinville, trouxeram seu caixão para a França a bordo do navio Belle Poule.

O editor do Blog no túmulo de Napoleão

Os funerais nacionais acompanham o retorno das cinzas do imperador Napoleão I, transferidos para os Invalides em 15 de dezembro de 1840, enquanto esperavam a construção do túmulo. Foi encomendado em 1842 pelo rei Louis-Philippe ao arquiteto Visconti (1791-1853), que fez sob as transformações importantes do Domo, atravessando uma imensa escavação para acomodar o túmulo. O corpo do imperador Napoleão I, foi lá depositado em 2 de abril de 1861.

Estátua de Napoleão, o rei de Roma


O domo da igreja, local do túmulo de Napoleão Bonaparte


Diante do túmulo de Napoleão Bonaparte, o maior herói da França

O túmulo, formado em blocos de quartzito vermelho, colocado sobre uma base de granito verde dos Vosges, está rodeado por uma grinalda de louro e inscrições que recordam as grandes vitórias do Império. Ao redor do túmulo, doze "Victoires" esculpidas por Pradier, simbolizam as campanhas militares de Napoleão. No chão de mármore policromado estão registadas oito vitórias famosas. Na galeria circular, uma série de dez baixos-relevos esculpidos por Simart, mostram as principais realizações do reinado: pacificação da nação, centralização administrativa, Conselho de Estado, Código Civil, Concordat, Universidade Imperial, Tribunal de Contas, Código da Comércio, ótimas obras, Legião de Honra. 

No fundo da cripta, sobre a laje sob a qual repousa o rei de Roma, é erguida uma estátua do imperador vestida de simbolismo imperial. 

A visita ao túmulo de Napoleão, o maior herói da França, é uma passagem obrigatória em Paris para quem estuda a história militar.

IMAGEM DO DIA - 23/11/2017

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Tropas equatorianas na selva durante o conflito do Cenepa, em 1995

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terça-feira, 21 de novembro de 2017

LIVRO - O CERCO DE LENINGRADO

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Por 900 dias os habitantes da cidade de Leningrado - atual São Petersburgo - viveram cercados por tropas nazistas. Um milhão de russos morreram na ocasião, dos quais 800 mil em consequência da fome. Contudo, esse terrível episódio da Segunda Guerra Mundial é frequentemente deixado em segundo plano em nome de outros embates. Com este livro, além do ponto de vista humano, a batalha de Leningrado é estudada em termos estratégicos, políticos e até simbólicos. 


Em pleno século XX desenrolou-se um cerco digno da era medieval. A fome, a sede, o fogo também foram inimigos temíveis. Pesquisando nos diários íntimos, nas cartas, nos arquivos, o historiador Pierre Vallaud revive toda a dimensão trágica dessa sangrenta aventura humana. Ele destaca o heroísmo dos cidadãos, a ignomínia de alguns, o esgotamento dos soldados nos dois lados. Leningrado não será a mesma para os leitores deste livro.


Sobre o autor

Pierre Vallaud é historiador, especialista em história contemporânea e em guerras do século XX. Antigo diretor do Centro de Estudos Estratégicos (CERGES) da Universidade Saint-Joseph, é autor de diversas obras sobre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, a Guerra da Argélia e a Guerra Fria.


Ficha técnica

Editora: Contexto
ISBN 978-85-7244-719-5
Formato 16 x 23
Peso 0.400 kg
Acabamento Brochura
Páginas 256



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

HISTÓRIA MILITAR NA FRANÇA - MUSÉE DE L'ARMÉE DES INVALIDES

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A visita ao Hôtel des Invalides e ao Musée de L´Armée é o sonho de todo historiador militar. A riqueza cultural e o acervo muito bem preservado e organizado permitem ao visitante e, acima de tudo, ao pesquisador, conhecer com profundidade a participação da França nos conflitos ao longo da história, desde a Idade Média até os dias atuais.  Tive a oportunidade de conhecer o museu nessa semana e, como me comprometi a difundir a história militar na França enquanto estou aqui em Paris por uma temporada, faço agora uma apresentação geral de minha primeira visita, mas, posteriormente, devido à riqueza do acervo, farei novas intervenções mais específicas e pontuais.

O Musée de l´Armée está instalado no imenso complexo formado pelo Hôtel des Invalides, criado em 1670 por Luís XIV, destinado a abrigar veteranos de guerra. A imponente obra, em estilo clássico, encomendada ao arquiteto Libéral Bruant, reúne um enorme acervo de armas, como pontas de flechas da Idade do Bronze, espadas vikings do século IX, armaduras usadas pelos guerreiros medievais, e armamentos utilizados nos grandes conflitos do século XX.


O Hôtel des Invalides

O Hôtel des Invalides, classificado como monumento histórico nacional, que começou a ser ocupado a partir de 1674, abrigava no final do século XVII cerca de 4.000 pensionistas. Muitos eram realmente inválidos, internados no hospital de l’Hotel; outros, em melhores condições físicas se ocupavam da Bastille, a famosa prisão tomada e destruída durante a Revolução Francesa em 14 de julho de 1789. Os que tinham alguma condição de produzir eram empregados nos mais diferentes ateliers de trabalho, que funcionavam no Hôtel des Invalides.

A transformação do complexo em uma unidade museológica teve início ainda no século XVIII. A partir de 1777, a Galeria Real dos Planos-relevo (Galerie royale des Plans-relief) trocou o Palais du Louvre pelo Hôtel des Invalides, onde se encontra atualmente. A esta galeria juntou-se, em 1871, o Museu da Artilharia (Musée de l'artillerie), cujas peças ornamentam os pátios e passeios do palácio.

O editor do Blog junto a peças de artilharia no interior do museu

Para conservar as tradições do Exército Francês, seus troféus de guerra e objetos da vida cotidiana dos soldados, foi criado, em 1896, o Museu histórico do Exército (Musée historique de l'Armée). Este viria a ser fundido com o da artilharia em 1905, formando o atual Museu do Exército (Musée de l'armée).

Após o final da 2ª Guerra Mundial, durante a qual os Inválidos operaram uma rede clandestina de resistência a partir de 1942, o museu aumentou de tamanho, sendo incorporadas a Ordem da Libertação (Ordre de la Libération) e o museu de história contemporânea (musée d’histoire contemporaine).

Uma das mais importantes atrações presentes no Hôtel des Invalides é o túmulo de Napoleão Bonaparte, que tratarei em postagem específica posteriormente. Seus restos mortais ocupam um imponente túmulo sob a cúpula da igreja do Domo.


As coleções

As coleções do Musée de l’Armée são distribuídas pelos diferentes períodos da história militar francesa:

A Idade Média
A coleção referente ao período medieval reúne vários tipos de espadas, escudos, armaduras. Já no final da Idade Média, no século XV, as táticas militares sofreram grandes inovações com o aperfeiçoamento das armas de fogo, como canhões, e arcabuzes, inventados por volta de 1440. 

Armaduras medievais em exposição

As pesadas armaduras caíram aos poucos em desuso. Surgiram os capacetes militares. Entre as peças desse período pode-se apreciar a Armure aux lions, armadura leve, destinada às paradas militares, inspirada nas utilizadas pelos guerreiros da Grécia clássica, e que teria pertencido a Francisco (1494-1547).

O absolutismo
Da época do Absolutismo, existem, dentre outras peças, um uniforme de gala do começo do século XVIII e um fuzil de infantaria de 1717. O destaque fica por conta do canhão de bronze dourado, todo trabalhado em relevo. Obra do cinzelador Laurent Ballard, o canhão foi um presente do parlamento da região de Franche Comté a Luís XIV, quando o território, antes sob domínio espanhol, foi incorporado à França. 

Túnicas de regimentos franceses do século XVIII

Outra peça interessante é uma armadura infantil que pertenceu a Luís XIII que, ainda adolescente, montou uma rica coleção de armas. Boa parte dessa coleção ainda existe e está exposta na seção de armaduras (Département des Armures et Armes Anciennes) e armas antigas exibidas no Musée de L’Armée.

Período bonapartista
Da época de Napoleão há toda uma coleção de telas a óleo e esculturas, além de garruchas, sabres, fuzis, bandeiras, equipamentos e uniformes usados pelos soldados do Grande Armée. Uma das telas mais famosas, pintada em 1811 por Jean-Auguste-Dominique Ingres, retrata Napoleão, imperador da França entre maio de 1804 e abril de 1814. Bonaparte é representado sentado no trono imperial, todo imponente, sob um manto púrpura, forrado de pele de arminho, com uma coroa de louros cobrindo sua cabeça, tendo na mão um cetro, símbolo do poder imperial.

O editor do Blog diante da tela de Jean-Auguste-Dominique Ingres, retrata Napoleão, imperador da França entre maio de 1804 e abril de 1814.


Também é interessante conhecer o cofre com pistolas que pertenceram a Napoleão, bem como sua coleção de suntuosas espadas, verdadeiras obras de arte, decoradas com metais preciosos, obra de Nicolas Noël-Boutet, diretor da manufatura instalada em de Versailles. Napoleão, as levou consigo para Santa Helena após sua queda e as legou por testamento ao seu filho.

A Primeira Guerra Mundial
A sala dedicada à Primeira Guerra tem a intenção de fazer o visitante compreender o conflito, os interesses nele envolvidos e as grandes transformações na estratégia militar provocada por novos tipos de armamentos, como tanques, metralhadoras, artilharia pesada de longo alcance, aviões e armas químicas. Entre as peças mais interessantes está uma maquete de uma trincheira utilizada entre o final e 1914 e março de 1918, na chamada "guerra de posição”. As trincheiras, interligadas, estendiam-se por todo o front, com os adversários separados, às vezes, por algumas dezenas de metros uns dos outros, dentro de seus buracos escavados na terra, sofrendo com a lama, o frio, as doenças e a chuva.

Diorama mostrando a guerra de trincheiras, durante a 1ª Guerra Mundial


Com o carro de combate Renault FT-17, o primeiro blindado utilizado na América Latina e no Brasil.


os objetos expostos encontra-se uma corneta que tocou o cessar fogo quando da capitulação alemã em novembro de 1918. Também merece atenção, o quadro “A Batalha de Verdun”, de Vallotton, obra abstrata, inovadora, que retrata a crueza da guerra. Outra curiosidade é o “táxi do Marne”, carro de praça, que, como muitos outros em Paris, foi convocado para transportar, às pressas, soldados para o front, no rio Marne.

A Segunda Guerra Mundial
As mais importantes coleções referem-se à Segunda Guerra, o maior conflito do século XX, com armas, uniformes, maquetes, mapas, filmes, audiovisuais, documentos e amplo material fotográfico sobre todo o conflito e as diversas frentes de batalha no norte da África, no Oriente e na Europa. A ênfase, porém, é dada ao papel da Resistência e das forças francesas livres comandadas por Charles De Gaulle. Quem compreende francês poderá ouvir o histórico discurso gravado pelo general e transmitido pela BBC de Londres em 22 de junho de 1940, exortando os franceses a se unirem na luta contra o nazismo. Ficou na história sua famosa frase: “La France a perdu une bataille ! Mais la France n’a pas perdu la guerre!“.

O editor do Blog diante da torre do carro de combate alemão Pzkpfw II

Bandeira da Força de Franceses Livres, com a Cruz de Lorena, liderados por De Gaulle.

Entre as peças exibidas, destacam-se a torre de metralhadora de uma fortaleza voadora (Boeing  B-17) e um primeiro modelo de bombardeio B-16, que voou pela primeira vez em julho de 1935. Esse tipo de avião tinha várias torres de defesa no alto, na cauda, e embaixo da fuselagem para se defender do ataque dos caças inimigos, mais rápidos e ágeis. Outra curiosidade é a torre do carro de combate alemão Panzerkampfwagen II, um veículo blindado de 10 toneladas desenvolvido a partir de 1934, equipado com canhões de 20mm. Também é interessante o espaço dedicado a De Gaulle e à Resistência Francesa. Capitão na Primeira Guerra, De Gaulle acabou ferido e aprisionado pelos alemães em 1916. Na Segunda Guerra, quando a a França foi obrigada a se render às forças nazistas De Gaulle estabeleceu-se em Londres para organizar a resistência.

Carlos Daróz, editor do Blog, no Musée de L' Armée


Como assinalei antes, a visita ao Musée de L’Armée é um sonho para todo historiador militar.  Vale muito a pena.

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sábado, 18 de novembro de 2017

EDITOR DO BLOG MINISTRA CONFERÊNCIAS SOBRE HISTÓRIA MILITAR EM CABO VERDE

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Na primeira semana de novembro, o editor do Blog Carlos Daróz-História Militar participou de uma intensa programação em Cabo Verde, na qual teve a oportunidade de realizar uma série de conferências sobre História Militar.

A primeira ocorreu no Mindelo, na Ilha de São Vicente, na conferência internacional sobre o patrimônio histórico e cultural subaquático, promovido pelo Instituto Universitário de Arte, Tecnologia e Cultura, na qual discorremos sobre a participação do Brasil na Grande Guerra.

Ainda no Mindelo, no Centro de Instrução Militar do Morro Branco, realizamos a conferência Novas dimensões da História Militar no Brasil, para os integrantes da 1ª Região Militar, onde analisamos o estudo desse importante campo do saber em nosso país, que passa por uma célere renovação.

No quartel da 1ª Região Militar, no Mindelo

Com o comandante da 1ª Região Militar, coronel José Neves

Já na cidade da Praia, na Ilha de Santiago, ministramos a mesma conferência para o Estado-Maior das Forças Armadas de Cabo Verde, despertando o interesse e a atenção dos integrantes da Guarda Nacional e da Guarda Costeira do país.

Plateia no Estado-Maior das Forças Armadas de Cabo Verde atenta à conferência

Com o coronel José das Graças, chefe de gabinete do Estado-Maior das Forças Armadas

Encerrando nossa participação, ministramos uma aula para os alunos do curso de relações internacionais do Instituto Superior de Ciências Jurídicas e Sociais com o tema História Militar e relações internacionais: a experiência brasileira, na qual pudemos analisar o emprego do poder militar brasileiro em benefício da paz mundial, sob os auspícios da ONU.

Aula no Instituto Superior de Ciências Jurídicas e Sociais

Agradecemos o protagonismo da embaixada brasileira em Cabo Verde, nas pessoas do embaixador José Carlos de Araújo Leitão e do conselheiro Ricardo Leal, que possibilitaram e viabilizaram a programação e o estreitamento das relações bilaterias entre Brasil e Cabo Verde.
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