"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

SEGUNDA BATALHA DE DURAZZO (1918)

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A Segunda Batalha de Durazzo, travada na costa da Albânia no final da 1ª Guerra Mundial, representou os últimos tiros disparados pela Marinha Austro-Húngara e o maior confronto naval que os EUA participaram durante a guerra.

A Segunda Batalha de Durazzo teve início na manhã de 2 de outubro de 1918, quando aviões britânicos e italianos atacaram as concentrações de tropas inimigas e as baterias de artilharia, enquanto a frota austro-húngara, composta por três navios, continuou a navegar através do Mar Adriático. Em seguida, vários dos cruzadores italianos e britânicos formaram uma linha de dois escalões para iniciar o bombardeio de cerca de 8.000 jardas (7.315 metros) ao largo da costa. Enquanto isso, navios americanos e britânicos atacaram os três navios da Marinha Austro-Húngara, os contratorpedeiros SMS Dinara (foto acima) e SMS Scharfschütze e o torpedeiro nº 87.

Os três navios austro-húngaros navegaram ao redor do porto de Durazzo, na Albânia, disparando suas armas e evitando os torpedos e o fogo de artilharia. O torpedeiro nº 87 e os dois contratorpedeiros foram perseguidos pela força aliada ao fugirem para norte ao longo da Costa, mas conseguiram escapar. O SMS Scharfschütze obteve alguns pequenos sucessos e teve três mortos e cinco feridos, enquanto o torpedeiro nº 87 foi atingido por um torpedo, que não explodiu. O SMS Dinara conseguiu escapar ileso. 

Bateria de artilharia de costa austro-húngara


O bombardeio do porto foi realizado pelos cruzadores blindados italianos San Giorgio, San Marco e Pisa e três navios mercantes, Graz, Herzegovina e Stambul, foram atingidos. O Stambul afundou, mas os outros dois escaparam à destruição total. O navio-hospital austro-Húngaro Baron foi abordado e inspecionado por contratorpedeiros britânicos antes de receber autorização para prosseguir. 

As forças navais norte-americanas receberam a incumbência de atuarem como força de cobertura e, no início da batalha, foram usadas para abrir um caminho livre através de um campo de minas ao largo de Durazzo. Alguns dos caça-submarinos foram engajados pelo fogo das baterias de artilharia de costa, mas nenhum foi danificado. Foram então designados para se unirem a outros caça-submarinos americanos para patrulhar ao norte e ao sul da área de batalha. 

Submarino U-29 austro-húngaro

Os americanos localizaram dois submarinos austro-húngaros, o U-29 e o U-31, e logo lançaram um ataque. Os caça-submarinos lançaram um ataque com cargas de profundidade contra o U-29 que durou 15 minutos, mas o submarino conseguiu sair ileso. O U-31 também foi atacado com bombas de profundidade e também sobreviveu.  Os navios americanos, por sua vez, foram alvejados pela artilharia de costa austro-húngara, mas nenhum deles foi seriamente atingido na batalha. 

Mais tarde, as forças norte-americanas relataram ter afundado os dois submarinos, mas isso não ocorreu, e, posteriormente, os submarinos conseguiram danificar pelo menos um cruzador ligeiro aliado, o HMS Weymouth, da Marinha Real britânica, que foi atingido por um torpedo do U-31 que danificou uma grande porção de sua popa e matou quatro homens. O Weymouth estava bombardeando posições terrestres, juntamente com outros quatro cruzadores britânicos, quando o torpedo o atingiu. O navio passou o resto da guerra em reparos. 

O cruzador britânico HMS Weymout foi seriamente avariado durante a Batalha de Durazzo

Os outros cruzadores ligeiros britânicos foram levemente danificados pelo fogo das baterias costeiras, antes que estas fossem silenciadas. Um destroier britânico também foi atingido por um torpedo. 

A batalha terminou às 1:30h de 3 de outubro e o porto outrora ocupado ficou em silêncio. Em 10 de outubro, as últimas unidades austro-húngaras tinham deixado Durazzo, que acabou por ser ocupada pelos italianos em 16 de outubro.

Oficiais e praças da Marinha Austro-húngara

O bombardeio aliado contra a pequena área portuária abalou os seus pilares de madeira. Embora os civis tivessem começado a fugir da cidade no início do bombardeio, muitas baixas foram infligidas sobre a população neutra. A antiga cidade adjacente ao porto foi completamente destruída, incluindo os edifícios públicos. O palácio real de Durazzo, em breve, a residência do Príncipe Wilhelm Zu Wied, da Albânia, foi completamente destruído.

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terça-feira, 17 de outubro de 2017

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL "PATRIMÔNIO CULTURAL E HISTÓRICO SUBAQUÁTICO"

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Na primeira semana de novembro o editor do Blog Carlos Daróz-História Militar participará da Conferência Internacional PATRIMÔNIO CULTURAL E HISTÓRICO SUBAQUÁTICO, no Mindelo, em Cabo Verde.

O evento, realizado no contexto das rememorações do centenário da Grande Guerra, é promovido pelo Instituto Universitário de Arte, Tecnologia e Cultura de Cabo Verde, com o apoio das embaixadas do Brasil e da França naquele país e do Instituto Camões de Cooperação e da Língua de Portugal.

Na ocasião apresentaremos a conferência O BRASIL NA 1ª GRANDE GUERRA, analisando a participação brasileira no primeiro grande conflito ocorrido no século XX.







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IMAGEM DO DIA - 17/10/2017

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Durante a Guerra de Sucessão Espanhola (1701-1714), tropas do 1º Regimento de Guardas a Pé britânico avançam para atacar Blenheim, em 2 de agosto de 1704


BLOG 'CARLOS DAROZ-HISTÓRIA MILITAR' ATINGE A MARCA DE 1 MILHÃO DE ACESSOS

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É com grande satisfação e sentimento de gratidão que registramos a marca de 1 milhão de acessos ao nosso Blog.

Desde 2009 o Blog Carlos Daroz - História Militar procura popularizar e democratizar o conhecimento acerca desse importante campo de estudo e pesquisa da História, o que se refletiu na preferência dos nossos leitores e amigos, bem como a expressiva quantidade de visitas.

Reafirmamos nosso compromisso e disposição em continuar trazendo conhecimentos e informações de qualidade abordando a História Militar Geral e a História Militar Brasileira.

Muito obrigado e vamos em frente!

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domingo, 15 de outubro de 2017

IMAGEM DO DIA - 15/10/2017

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O Canadá na Grande Guerra e o elevado custo de um conflito total marcado pelo avanço tecnológico e pela eficácia das armas.  Oficiais do 1º Regimento da Terra Nova. Da esquerda para a direita:
 - Capitão James John Donnely, morto em ação em 12 de outubro de 1916, aos 34 anos de idade;
- Tenente Norman Outerbridge, morto em ação em 14 de abril de 1917, aos 33 anos de idade;
- Capitão James Allan Ledingham, morto em ação em 9 de outubro de 1917, aos 29 anos de idade;
- Capitão Herbert Rendell, morto em ação em  29 de setembro de 1918, aos 29 anos de idade;
- Capitão Wilfred Pippy, sobreviveu à guerra;
- Tenente Cyril Carter, sobreviveu à guerra.



sábado, 14 de outubro de 2017

BATALHA DE MALAKOFF: O ASSALTO FINAL E DECISIVO CONTRA SEBASTOPOL




.O Cerco de Sebastopol foi o principal combate ocorrido durante a Guerra da Crimeia, tendo durado de setembro de 1854 a setembro de 1855. Um dos primeiros livros de Leon Tolstoi, "Relatos de Sebastopol", detalha os combates num misto de ficção e relato histórico.

Por Renato Coutinho


O Cerco de Sebastopol durou quase um ano, entre outubro de 1854 e setembro de 1855, e foi muito duro para civis e militares de ambos os lados. Os diversos combates e batalhas ao redor de Sebastopol foram muito violentos e sangrentos, culminando no assalto decisivo que ocorreu no dia 8 de setembro de 1855. Os aliados, com destaque para os exércitos francês e britânico, passaram quase um ano tentando conquistar a linha defensiva externa (secundária) de Sebastopol. Conseguiram sofrendo pesadas baixas, pois os russos não entregavam facilmente suas posições defensivas (redutos e bastiões fortificados). 

Cada ataque de infantaria aliado sofria com o pesado fogo da infantaria e artilharia russa e, quando conseguiam penetrar e ocupar uma posição após terrível combate aproximado, o contra-ataque feroz da infantaria russa não tardava. Reforços, novos regimentos de infantaria, eram lançados no combate a todo momento. Sempre que os aliados conquistavam uma posição da linha defensiva externa russa, essa posição capturada custava caro para os aliados, às vezes muito caro. 

A linha de defesa externa de Sebastopol caiu de vez quando os franceses conquistaram um reduto fortificado conhecido como "Mamelon" em junho de 1855. Os franceses sofreram cerca de 2.200 baixas capturando o “Mamelon” e os famosos Zuavos franceses tiveram papel fundamental na captura dessa posição russa.

Oficial do 1º Regimento de Zuavos na Crimeia

Como sempre, os Zuavos franceses combateram arduamente e não arredaram pé da posição conquistada. O 1º Regimento de Zuavos sofreu aproximadamente 500 baixas. conquistando o “Mamelon”, e o 2º Regimento de Zuavos perdeu 719 homens no mesmo assalto contra a posição fortificada.

O “Mamelon” era uma posição ligeiramente elevada localizada 200 metros à frente da principal posição da principal linha de defesa de Sebastopol, essa posição era conhecida como "Malakoff" ou "Torre Malakoff". Essa linha defensiva principal russa contava com vários redutos e bastiões fortificados, com uma enorme rede de trincheiras e dezenas de peças de artilharia, mas três posições eram as mais importantes: Malakoff, Redan e o pequeno Redan. Unidades de engenharia francesas passaram os dois meses seguintes, julho e agosto de 1855, cavando trincheiras debaixo de fogo russo a partir da posição do “Mamelon”, que era o ponto mais próximo da principal de defesa russa. Cavaram várias linhas de trincheiras paralelas e perpendiculares ao Malakoff, para oferecer proteção aos engenheiros franceses enquanto trabalhavam e posteriormente para os infantes franceses quando chegasse a hora do ataque, gradualmente chegando mais perto do Malakoff. No início de setembro, apesar de todos os esforços russos para impedir o trabalho dos franceses e repelir o inimigo para longe, os franceses haviam chegado a 70 metros do Malakoff. A hora do ataque decisivo estava se aproximando.

Os franceses colocaram cerca de 28.000 soldados de prontidão. Esses homens iriam participar do assalto decisivo contra a principal linha defensiva de Sebastopol. Os britânicos mobilizaram quase 14.000 homens para participar do ataque. Os franceses tinham a missão de capturar o Malakoff e o pequeno Redan, enquanto os britânicos tinham que capturar o Redan. Malakoff (ou Torre Malakoff) era a principal posição defensiva russa, era o ponto chave das defesas de Sebastopol. O Malakoff era um enorme reduto fortificado com parapeitos altos (construídos com vigas grossas de madeira e muitos sacos de areia), uma larga torre de dois andares no centro da posição (a qual contava com 8 canhões no seu interior), 16 canhões nos parapeitos e dois batalhões de infantaria russos guarnecendo o bastião. O Redan era um reduto parecido com o Malakoff, mas não contava com uma torre de artilharia. Infelizmente, o trabalho dos engenheiros britânicos não conseguiu avançar no mesmo ritmo dos engenheiros franceses e, por conta disso, seus soldados teriam que avançar 150 metros para conseguir alcançar os parapeitos/trincheiras do Redan.

General de Divisão Pierre Bosquet com oficiais de seu estado-maior. Foto batida em agosto de 1855 (um mês antes do ataque contra o Malakoff).

O ataque final contra Sebastopol ocorreu em 8 de setembro de 1855. Os infantes franceses, sob o comando do General de Divisão Pierre Bosquet, deixaram suas trincheiras e lançaram um violento e devastador assalto de infantaria contra as posições russas. O General de Divisão Patrice MacMahon (descendente de escoceses) liderou o ataque, tendo à frente o 1º Regimento de Zuavos (escolheram esse regimento de elite como ponta de lança do assalto). Os Zuavos franceses saíram desembestados de suas trincheiras e alcançaram rapidamente os parapeitos dos Malakoff. Em poucos segundos já estavam escalando e penetrando no reduto russo. Detalhe: Os franceses descobriram que os russos trocavam as guarnições na região do Malakoff por volta do meio dia. Os russos levavam alguns minutos retirando a "velha" guarnição antes de trazer a "nova" guarnição. Os franceses lançaram o ataque justamente durante essa troca. Os Zuavos do 1º de Zuavos conseguiram avançar com pouca oposição, evitando o fogo mortal da maioria dos canhões russos. Em pouco tempo já estavam dentro das defesas russas. Logo depois, o bicho pegou para valer. 

Os russos trouxeram reforços e o combate no interior da posição foi muito violento e sangrento. A batalha pelo controle do Malakoff foi de uma selvageria fora do comum. Russos e franceses passaram quatro horas se engalfinhando no interior do bastião. Ataques e contra-ataques foram ocorrendo quase sem descanso. Novas unidades de infantaria foram sendo lançadas a todo momento na luta por ambos os lados. O combate era aproximado e extremamente feroz, quase sempre corpo a corpo com baionetas, coronhas e sabres. Disparos de mosquetes e pistolas eram constantemente efetuados a curtas distâncias, num ritmo frenético. Uma luta selvagem reinou do meio dia até às 4 horas da tarde, quando finalmente os franceses conseguiram conquistar definitivamente o reduto. O Zuavo francês Eugene Libaut instalou a bandeira francesa no topo do Malakoff, marcando sua captura pelo Exército Francês.

Quadro pintado por Horace Vernet em 1858 mostrando o General MacMahon ao lado do Zuavo Eugene Libaut (ou Lihaut) no topo do Malakoff. Eugene estava fincando a bandeira francesa naquele momento.

Detalhe sinistro: os franceses que estavam dentro do Malakoff, aguardando mais um contra-ataque da infantaria russa, resolveram construir um muro dentro do pátio do reduto com sacos de areia, pedaços de madeira e cadáveres de soldados russos. Dezenas de militares russos foram empilhados e realmente serviram de proteção para os franceses.

Os franceses também conquistaram o pequeno Redan, mas os britânicos não conseguiram capturar o Redan. O assalto britânico não foi iniciado na hora combinada com os franceses, eles partiram com atraso de 10 minutos, e tinham que percorrer uma distância maior. Quando os regimentos de infantaria britânicos iniciaram o avanço, os franceses já haviam invadido o Malakoff e os sons da batalha dominavam o ambiente, ou seja, os infantes e artilheiros russos no Redan já estavam alertas quando os britânicos deixaram suas trincheiras para iniciar o assalto (sendo recebidos por um fogo devastador). Poucos militares britânicos conseguiram penetrar no reduto russo e foram repelidos com uma certa facilidade.

No ataque final contra Sebastopol, nas batalhas pela posse do Malakoff, Redan e pequeno Redan, os franceses sofreram 7.567 baixas (perdendo 5 Generais mortos e 4 feridos). Os britânicos sofreram 2.271 baixas (com 3 de seus Generais feridos) e os russos perderam 12.913 homens. Bosquet, o comandante das forças francesas nesse assalto, foi gravemente ferido e quase faleceu no hospital de campanha francês (foi a segunda vez que ele foi ferido com gravidade na Guerra da Criméia).

A perda do Malakoff, posição elevada dominante da área de Sebastopol, provocou a retirada dos russos da linha defensiva e, também, da cidade de Sebastopol no dia 9 de setembro. Eles não tinham mais condições de defender a cidade, pois os canhões de sítio franceses seriam instalados no Malakoff e poderiam facilmente bombardear Sebastopol. Assim sendo, a queda do Malakoff marcou o fim do cerco de Sebastopol. Esta foi uma vitória inteiramente francesa. Os aliados perderam aproximadamente 128.000 vidas durante o cerco de quase um ano. Por sua vez, os russos perderam cerca de 102.000 vidas ao longo do cerco.

O general MacMahon, descendente de escoceses, era o comandante das forças francesas na Crimeia.

No dia 8 de setembro, o 1º Regimento de Zuavos iniciou o assalto com um efetivo de 754 homens (soldados e oficiais)s). Sofreu 512 baixas conquistando o Malakoff. Os Zuavos franceses já eram conhecidos e respeitados ao redor do mundo, mas a conquista do Malakoff tornou-os os soldados mais admirados e temidos do mundo. Seus feitos de armas eram publicados em periódicos e publicações do mundo todo, sempre acompanhados de gravuras que mostravam a incrível tenacidade e extrema coragem dos Zuavos em ação. 

George McClellan, oficial americano e observador oficial do Exército dos EUA na Guerra da Crimeia, observou os Zuavos franceses em ação na Crimeia e fez a seguinte afirmação: "Os Zuavos franceses são a melhor infantaria do mundo, disso não tenho dúvida." 

McClellan comandou o principal exército da União em 1862 (durante a Guerra Civil Americana) - excelente teórico, excelente administrador, mas péssimo comandante de exército. Vacilava e não aguentava a pressão de ter que tomar decisões rápidas no calor do combate.

Unidades de infantaria da Guarda Imperial Francesa e outras unidades de infantaria do Exército Imperial Francês, regimentos de infantaria de linha e batalhões de Caçadores a Pé, também lutaram muito bem na ofensiva aliada do dia 8 de setembro, conquistando o Malakoff e o pequeno Redan, mas os Zuavos franceses foram considerados os grandes heróis desta vitória francesa, ficando o nome "Zuavo" eternamente associado a conquista do Malakoff. A infantaria da Guarda Imperial Francesa, fazendo parte da segunda leva que atacou o Malakoff, também combateu muito bem. Era a primeira vez que todas as unidades de infantaria da Guarda Imperial participavam juntas da mesma batalha. A Guarda Imperial iniciou o ataque com aproximadamente 5.600 homens e sofreu 2.471 baixas naquele terrível dia. O Regimento de Zuavos da Guarda Imperial Francesa, contando somente com um batalhão na época, perdeu 300 dos seus 590 homens conquistando o Malakoff (lutaram como demônios, de acordo com o depoimento de um Coronel russo).


Um brasileiro em Malakoff

O 1º de Zuavos perdeu muitos oficiais no assalto decisivo contra o Malakoff e um deles era brasileiro, ou melhor dizendo, era um franco-brasileiro. O tenente Eduardo de Villeneuve morreu dentro do Malakoff, tendo sido citado no relatório/parte de batalha escrito pelo comandante do regimento por sua conduta exemplar demonstrada durante o combate. Nascido de pai francês, Eduardo nasceu e foi criado no Rio de Janeiro. Seu irmão, o Conde Villeneuve, foi Ministro Plenipotenciário do Império do Brasil na Bélgica. Eduardo cursou a Academia Militar de Saint-Cyr, a principal academia de oficiais da França, e concluiu o curso na turma de 1851-1853 ("promoção da Águia"). Concluiu como oficial da Arma de infantaria. Essa turma recebeu o nome de "Promoção da Águia" porque, no meio do curso, Napoleão III tornou-se Imperador da França iniciando o período do Segundo Império Francês e o símbolo máximo do Império Francês era a águia imperial (herdada do 1º Império Francês da Era Napoleônica). Logo após a conclusão do curso, Eduardo foi designado para servir no 1º Regimento de Zuavos.

Um subúrbio de Paris, dentro da grande Paris, foi batizado com o nome Malakoff para homenagear essa vitória francesa. Da mesma forma, uma avenida de Paris também foi batizada com o nome Malakoff.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

COSME LOCKWOOD GOMM - UM BRASILEIRO NA RAF NA 2ª GUERRA MUNDIAL

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Por Rafael Pinheiro Machado e Sérgio Scheinkmann

Cosme Lockwood Gomm nasceu em 15 de novembro de 1913, em Curitiba, filho de Harry Herbert Gomm e Isabel Whiters Gomm, cidadãos britânicos residentes em nosso país. Em 1932, Cosme Gomm residia em São Paulo e vivenciou a Revolução Constitucionalista que eclodiu na capital com repercussão nacional. Decidiu transferir-se para a Inglaterra e ingressar na Royal Air Force, já que possuía também a cidadania inglesa. Em 07/11/33 foi comissionado como Oficial Aviador e recebeu a matrícula militar RAF 34123.


Sua primeira designação foi em 01/10/1934 para o 45º Esquadrão de Bombardeio, estacionado no Oriente Médio e voando o Fairey IIIF, em destacamentos em Amã na Jordânia, Gaza na Palestina, Ismaília no Egito, Hinaidi, Shaibah e Mosul no Iraque e Eastleigh no Quênia. Em 07/08/36 foi promovido a Flying Officer. O Esquadrão mudou de equipamento para os biplanos de observação Hawker Hart e para os biplanos de bombardeiros Vickers Vincent em 1935, usando-os simultaneamente até trocá-los pelos biplanos Fairey Gordon em 1936, agora com base somente em Eastleigh.


Em 30 de março de 1937 o Flying Officer Gomm foi transferido para o 14º Esquadrão de Bombardeio, voando os biplanos Fairey Gordon desde Amã, Jordânia. Em 07/08/1937 foi comissionado Flying Lieutenant em exercício. A efetivação da promoção ocorreu um ano depois em 07/08/1938. O Esquadrão havia trocado de equipamento para o monoplano Vickers Wellesley desde março de 1938 e continuou baseado em Amã.


Após esse período no oriente, o F/L Gomm retornou à Inglaterra em 15/02/1939 para servir como instrutor na 10ª Escola de Treinamento Aéreo (10 SFTS), deslocando-se em 15/01/1940 para o Canadá, para um período como instrutor na 1ª Escola de Treinamento Aéreo daquele país.


No retorno à Inglaterra foi alocado ao 77º Esquadrão em 08/07/1940, subordinado ao 4º Grupo do Comando de Bombardeiros. O Esquadrão utilizava o bimotor de bombardeio Armstrong Withworth Whitley V, que portavam o código KN, a partir da base de Driffield, passando para a base de Linton-on-Ouse em 28 de agosto, após Driffield ter sido atacada por bombardeiros Ju-88s da KG-30 da Luftwaffe, ficando seriamente danificada. Foi para a base de Topcliffe em 05 de outubro. Gomm foi desligado desse esquadrão, indo para a 54ª Unidade de Treinamento Operacional (54 OTU).

Cosme Lockwood Gomm com uniforme da RAF

Em 17/03/41 O W/C Gomm foi transferido para o 604º Esquadrão (County of Middlesex), sob o comando do já famoso Wing Commander John "Cat Eyes" Cunningham, baseado em Middle Wallop e subordinado ao 10º Grupo do Comando de Caças, voando o bimotor Bristol Beaufighter 1F. Essa versão do Beaufighter estava equipada para a função de caça noturno com radar A. I. Mk.IV, 4 canhões Hispano de 20 mm no ventre e 6 metralhadoras Browning .303 nas asas. Usavam pintura inteiramente preta fosca com códigos em cinza azulado. Nesse Esquadrão Gomm completou seu primeiro turno de missões que havia começado no 77º Esquadrão e abateu 3 Heinkel He-111 em missões noturnas. 


Em 01/06/41, Gomm foi promovido provisoriamente a Squadron Leader (major) e transferido para o Quartel General do 10º Grupo (Caça), onde assumiu no dia 20. No dia 28 ainda de junho foi nomeado comandante da Base Aérea de Colerne. Função que desempenhou até 17 de setembro quando foi alocado à 51ª Unidade de Treinamento Operacional (51 OTU) para um curso de qualificação em quadrimotores. Em 17 de novembro foi comissionado como piloto de provas de quadrimotores, ligado ao QG da RAF.  Foi temporariamente nomeado Wing Commander (posto equivalente a tenente-coronel) em 01/06/1942 e em 1º de setembro teve efetivada sua promoção a Squadron Leader.


Em 07/11/1942, já no posto de Wing Commander temporário e condecorado com a Distinguished Flying Cross, Cosme Gomm ofereceu-se como voluntário para um segundo turno de operações. Aceito, foi nomeado comandante do 467º Esquadrão (Australiano), formado em Scampton com pessoal australiano, e subordinado ao 5º Grupo do Comando de Bombardeiros. Em 24/11/42 o esquadrão mudou sua base para Bottesford, Nottinghamshire, Midlands, equipado com bombardeiros quadrimotores Avro Lancaster B.I e B.III, aparelhos que o usou até sua desativação em 30/09/45. O comandante Gomm foi condecorado com a Distinguished Service Order - DSO em 11/6/43.

Distinguished Flying Cross, uma das condecorações recebidas por Cosme Gomm



Sobre o raid da noite de 20-21/06/1943, transcrevemos o seguinte tópico do livro Bomber Command War Diaries:


"60 Lancasters foram alocados para o ataque à empresa Zeppelin, na cidade de Friedrichshaven, às margens do Lago Constance (Bodensee). Essa fábrica produzia conjuntos de radar Würzburg, parte importante do sistema de controle dos caças noturnos alemães, através do qual o Bomber Command tinha que voar cada vez que atacava um objetivo na Alemanha.


Esse foi um raid especial com novas e interessantes táticas. Como no recente Dam Raid (refere-se ao muito famoso raid do Esquadrão 617º às represas Marhne, Eder e Sorpe na noite de 16-17/05/.43), o ataque deveria ser controlado pelo piloto de um dos Lancasters. Essa modalidade viria a ser conhecida como a técnica do 'Master Bomber'. O planejamento foi efetuado pelo 5o Grupo que forneceu o Master Bomber - Group Captain (Coronel) L. C. Slee e quase todos os bombardeiros envolvidos; o 8º Grupo Pathfinder enviou 4 Lancasters marcadores de alvo do 97º Esquadrão.


O aparelho do Group Captain Slee apresentou falhas nos motores e a função de Master Bomber foi passada ao segundo em comando, Wing Commander C. L. Gomm do 467º Esquadrão. O ataque, como no recente raid a Le Creusot, França, deveria se desenvolver entre 5.000 a 10.000 pés em noite de lua clara. Como a artilharia antiaérea e os holofotes estavam muito ativos, o W/C Gomm ordenou à força de bombardeiros que subisse mais 5.000 pés. Infelizmente o vento a essa nova altitude estava mais forte que o previsto, causando dificuldades.


O bombardeio foi em duas partes. As primeiras bombas foram miradas nos indicadores de alvo lançados por um dos aviões dos Pathfinders. A segunda fase foi uma corrida de bombardeio cronometrada a partir de um ponto às margens do lago e até o ponto da posição estimada da fábrica. Esta era uma técnica em desenvolvimento pelo 5º Grupo. O reconhecimento fotográfico mostrou que cerca de 10 por cento das bombas atingiu a pequena fábrica onde muito estrago foi causado. Outras fábricas nas proximidades também foram atingidas. Sabe-se que 44 pessoas foram mortas em Friedrichshaven nessa noite.


A força de bombardeiros iludiu os caças noturnos alemães que esperavam seu retorno sobre a França, ao efetuar o primeiro raid com pouso na África. Nenhum Lancaster foi perdido.


Na volta da África para as bases na Inglaterra na noite de 23/24 de junho, a força bombardeou o porto de La Spezia, na Itália, atingindo depósitos de armas e combustível, novamente sem sofrer baixas."

Bombardeiro Avro Lancaster da RAF


Na noite de 15 para 16/08/43, o 467º fez parte de um raid de 199 quadrimotores dos 1º, 5º e 8º Grupos que atacaram Milão e Turim a partir de suas bases na Inglaterra. Foi a 24ª missão do segundo turno de operações do Wing Commander Gomm. Sete bombardeiros foram perdidos nesse raid, a maioria na viagem de retorno, sobre a França. O Lancaster B.III ED998, código PO-Y do Wing Commander decolou de Bottesford às 20:34 horas e foi um dos abatidos. Caiu perto da cidade de Chartres às 23:30 horas. Dos 7 tripulantes, salvou-se apenas o Sargento J. R. Lee que foi feito prisioneiro pelos alemães e levado para o campo de concentração da Luftwaffe em Sagan. Além do piloto e do Sargento Lee, faziam parte da tripulação o Pilot Officer K. Gibson, Flying Officer T. J. Phillips, F/O A. H. Reardon RAAF, P/O H. N. Pritchard e Warrant Officer L. L. McKenny RAAF. 

Os mortos foram sepultados no cemitério da cidade de Chartres. Seus despojos foram transferidos depois da guerra para o Cemitério Militar de Saint Desir nos Calvados, França. Gomm tinha 29 anos de idade e seu corpo encontra-se na sepultura 7-G-C-6.


Em 20/08/1943, o Ministério do Ar britânico informou a família no Brasil sobre o desaparecimento em combate do Wing Commander Gomm. A confirmação de seu falecimento foi feita pela Cruz Vermelha Internacional dias depois. A Câmara Municipal de Curitiba homenageou o aviador dando seu nome a uma rua no bairro do Bigorrilho.

Fonte:  SP Modelismo

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sábado, 7 de outubro de 2017

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

IHGB E DPHDM PROMOVEM O SEMINÁRIO "O BRASIL E A GRANDE GUERRA"

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Nos dias 4 e 5 de outubro, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha realizaram o seminário O Brasil e a Grande Guerra: interfaces da participação brasileira na Primeira Guerra Mundial.

Durante o evento, prestigiado por expressivo público, diversos pesquisadores apresentaram suas pesquisas, com olhares diversos sobre o conflito mundial que abriu o século XX e que ora completa seu centenário.  Na ocasião, o editor do Blog Carlos Daroz-História Militar apresentou sua pesquisa Da Ilha das Enxadas a Cattewater: os aviadores navais brasileiros na Grande Guerra.

Nosso Blog parabeniza a DPHDM e o IHGB pelo sucesso do seminário. A seguir, algumas imagens do evento:

O Prof Arno Wheling, presidente do IHGB, faz a abertura oficial do seminário.


Cartaz do seminário O Brasil e a Grande Guerra


O público lotou o auditório do IHGB


O editor do Blog Carlos Daroz - História Militar fazendo sua comunicação




Comandante Lopes, Prof. Carlos Daróz e Prof. Armando Santos









segunda-feira, 2 de outubro de 2017

ARMAS - METRALHADORA NORDENFELT

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A Nordenfelt, também conhecida por Nordenfelt-Palmcrantz, foi uma metralhadora de canos múltiplos, desenvolvida no século XIX. A arma dispunha de 1 a 12 canos, dispostos em linha e disparados pela movimentação manual de uma alavanca para a frente e para trás. Foi produzida em diversos calibres, desde o de espingarda ao de 25 mm. Também foram usados calibres maiores, mas que a impediam de fazer um "tiro automático", limitando-se ao municiamento rápido.


Desenvolvimento

A arma foi desenhada pelo engenheiro sueco Helge Palmcrantz, que criou um mecanismo para carregar e disparar uma arma de canos múltiplos, através do accionamento manual de uma alavanca. O sistema foi pantenteado em 1873.


Metralhadora Nordenfelt montada em reparo naval


A produção foi financiada pelo industrial e banqueiro residente em Londres, Thorsten Nordenfelt, cujo sobrenome, mais do que o do inventor, haveria de baptizar a arma. Foi estabelelecida uma fábrica na Inglaterra e desenvolvidas inúmeras demonstrações em exposições. A arma foi adotada pela Marinha Real Britânica, complementando as suas metralhadoras Gatling e Gardner.

Durante uma demonstração em Portsmouth, uma versão de 10 canos da Nordenfelt, disparando munições de calibre de espingarda, fez 3.000 tiros em 3 minutos e 3 segundos, sem paragens nem falhas.

A arma também obteve um desempenho impressionante durante testes no Brasil, onde uma Nordenfelt de calibre 1,5 polegadas fez com que as suas munições penetrassem mais profundamente numa placa de aço de 5 cm de espessura, que as de uma peça de 3 polegadas disparadas à mesma distância.

A Marinha do Brasil acabou por adotar a arma em 1882, em dois calibres, um em 8 mm (Kropatschek) o outro de 25 mm. As Nordenfelt de 25 mm destinavam-se à repelir os ataques de lanchas torpedeiras.


Tropas da Polícia Militar do Paraná operando uma Nordenfelt durante a Revolução Federalista


Em 1889 o Exército Brasileiro seguiu o exemplo da Marinha e também se equipou com metralhadoras Nordenfelt, complementando as Gatling adquiridas em 1872. Cada batalhão de infantaria e cada regimento de cavalaria seria equipado com duas armas. Para a Infantaria foram adquiridos modelos pesados de cinco canos (também atribuídos à Artilharia de Posição) e para a Cavalaria (e também para a Artilharia a Cavalo) foi adquirido um modelo, mais ligeiro e mais móvel, de apenas três canos.

Em 1873, o Exército Português criou uma Bateria de Metralhadoras, integrada no Regimento de Artilharia Nº 1, equipada com armas Nordenfelt de calibre 11 mm. Estas metralhadoras, as primeiras ao serviço de Portugal, estavam montadas em reparos rodados como os das peças de artilharia. A Marinha Portuguesa também adquiriu metralhadoras Nordenfelt para serem montadas em reparos fixos a bordo de navios de guerra. Tanto as Nordenfelt do Exército como as da Marinha foram utilizadas em combate nas campanhas coloniais portuguesas do final do século XIX, nomeadamente nas de Moçambique em 1894 e 1895.



Com o desenvolvimento de verdadeiras armas automáticas, nomeadamente das metralhadoras Maxim, a Nordenfelt tornou-se obsoleta. A empresa Nordenfelt fundiu-se, em 1888, com a Maxim Gun Company, tornando-se a Maxim Nordenfelt Guns and Ammunitions Company Limited.


Características

Tipo: Metralhadora
Origem: Reino Unido
Em serviço: 1873 - década de 1890
Criador: Helge Palmcrantz
Calibre: Vários
Ação: Alavanca manual
Cadência de tiro: 983 tpm


Fontes:
- CHINN, George. The Machine Gun. History, Evolution, and Development of Manual, Automatic, and Airborne Repeating Weapons, v.1. Washington, 1951.
- SLEEMAN, C. The Development of Machine Guns. The North American review, v.139, Out. 1884
- ELLIS, John. The Social History of the Machine Gun. New York: Pantheon Books, 1975.


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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

MINICURSO "O PENSAMENTO DE CLAUSEWITZ E AS GUERRAS CONTEMPORÂNEAS" NA UFPB

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Para os amigos e amigas da Paraíba, uma excelente oportunidade para conhecer mais sobre Clausewitz e seu papel na História Militar, em minicurso ministrado pelo Prof. Sandro Teixeira, da ECEME.  

Imperdível !


quarta-feira, 27 de setembro de 2017

O LOCAL DA MAIOR EXPLOSÃO NÃO-NUCLEAR 70 ANOS DEPOIS

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Por Carli Velocci

Em 27 de novembro de 1944, quatro mil toneladas de bombas foram detonadas acidentalmente em RAF Fauld, um depósito de munições da real Força Aérea Britânica no interior da Inglaterra. A explosão foi tão grande que causou uma nuvem de cogumelo e pôde ser sentida até no Marrocos.

A explosão deixou uma cratera gigante, e você pode ver como ela está mais de 70 anos depois em um vídeo recente de Tom Scott, para a série “Coisas que você talvez não saiba” de seu canal do YouTube.

De acordo com Scott, o depósito subterrâneo estava cheio até a borda de bombas gigantes e munições durante a Segunda Guerra Mundial. Ele foi originalmente construído em 1930 para abrigar explosivos menores, mas o início da guerra aumentou a demanda por armas maiores e, portanto, o local de armazenamento ficou acima da capacidade.

A imensa cratera aberta pela explosão de 1944

Investigações oficiais afirmaram que a explosão foi causada por má gestão, porque a maioria dos oficiais superiores não estava por perto naquele dia, e um funcionário tentou remover o detonador de uma bomba ativa com um cinzel de latão, causando uma faísca que lançou um efeito dominó enorme em toda a instalação.

A cratera de Hanbury nos dias de hoje


Não se sabe quantas pessoas morreram como resultado da catástrofe – muitos corpos não foram recuperados – mas o número deve girar em torno de 30 a 70. Esta é muitas vezes considerada como uma das maiores explosões não-nucleares da história, e a maior de todas na Grã-Bretanha.


A Cratera de Hanbury, com cerca de 90 m de profundidade e 400 m de diâmetro, ainda é bastante notável na paisagem, mas vem sendo preenchida por terra ao longo do tempo. Como o governo afirma que ainda existem bombas ativas no local, a entrada é proibida.

Fonte: Gizmodo

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