"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



quinta-feira, 21 de setembro de 2017

ILYÁ MUROMETS: O "OURIÇO VOADOR" RUSSO

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Há um século, o primeiro avião de quatro motores em série do mundo, “Ilya Muromets”, levantou voo.


Por Ekaterina Turicheva


Enorme para a época, a máquina tinha uma envergadura de asas de 31 metros e 19 metros de comprimento, e todos os seus principais componentes eram de madeira.

A aeronave criada pelo Departamento de Aviação da Fábrica de Vagões Russo-Báltica (a Russo- Balt), sob a responsabilidade da equipe liderada pelo piloto e projetista Igor Sikorski.

O especialista do departamento científico da Sociedade Histórico-Militar Russa (RVIO), Konstatin Palhaliuk, conta que o primeiro voo do C-22 foi de teste, mas que, dois dias depois, a aeronave levantou voo com uma carga de 1,1 tonelada, um recorde para a época. A este se seguiram novos recordes.

Em fevereiro de 1914, o Ilya Muromets levantou voo com 16 pessoas e um cachorro chamado Chkalik a bordo e, em junho do mesmo ano, fez o trajeto aéreo de São Petersburgo a Kiev. Na época, Igor Sikorski tinha apenas 24 anos.

O imenso Ilya Muromets fez seu primeiro voo em 1914


Já na época o seu sucesso foi notado por Nikolai II”, observa Pakhaliuk, “e a Duma Estatal (câmara baixa do Parlamento da Rússia Imperial) premiou o construtor com a soma bem grande de 75.000 rublos reais”.

Entre 1913 e 1918, foram produzidas na Russo-Balt várias séries de Ilya Muromets. A aeronave havia sido concebida como bombardeiro e avião de passageiros ao mesmo tempo. O número total de aeronaves produzidas, de acordo com os historiadores, foi entre 60 a 80.

Pela primeira vez na história da aviação, uma máquina vinha equipada com um confortável salão separado da cabine, com quartos de dormir, aquecimento, iluminação elétrica e até mesmo um banheiro.

Se a história tivesse se desenvolvido de forma diferente, os Muromets teriam dado início à aviação de transporte regular de passageiros na Rússia. No entanto, o destino do projeto foi determinado pelo início da Primeira Guerra Mundial.



“Ouriços” voadores

“Imediatamente após o voo Petersburg-Kiev foi decidido fabricar esses aviões para as tropas”, diz Pakhaliuk. “O Muromets era usado como bombardeiro e como avião de reconhecimento; nele foi instalada uma máquina fotográfica para fotos aéreas e metralhadoras para afastar o inimigo.”

O aparelho tinha um armamento defensivo fortíssimo, praticamente sem “zonas mortas”. Devido a essas defesas, o Muromets ficou conhecido como “ouriço”.

No período entre outubro de 1914 e maio de 1918, foram perdidas 26 aeronaves deste tipo, sendo apenas uma abatida pelo inimigo. As restantes deixaram de funcionar devido a falhas técnicas, erros de pilotagem ou desastre naturais.

Os quatro motores do Muromets


O último voo do Ilya Muromets aconteceu em novembro de 1920. Após a guerra soviético-polonesa, vários Muromets fizeram as primeiras rotas aéreas de transporte de carga, mas, devido ao forte desgaste do aparelho e vida útil dos motores, os aviões foram retirados de voo.

Um dos últimos aparelhos da série foi entregue em 1922 a uma escola de formação de artilharia aérea e bombardeamento, onde em um ano ele realizou cerca de 80 voos de treino. Depois disso, os Muromets não voltaram a subir aos ares.

Fonte: Gazeta Russa


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

PPGH da UNIVERSO REALIZA O II ENCONTRO DO LABORATÓRIO DE HISTÓRIA MILITAR E FRONTEIRAS

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Realizou-se, no último dia 19, o II Encontro do Laboratório de História Militar e Fronteiras do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Salgado de Oliveira, em Niterói.



No encontro, uma mesa redonda coordenada pelo Prof Fernando Rodrigues, com o tema central Dimensões da História Militar na América, abordou as seguintes pesquisas:

Profª Karina Cancella (Colégio Pedro II)
A prática esportiva como objeto de estudo na História Militar: os casos do Brasil e dos Estados Unidos da América

Prof. Christian Karl Hausser (Universidade de Talca - Chile)
Perspectivas da Historia Militar nos oitocentos sul-americano

Profª Érica Sarmiento da Silva (UNIVERSO)
Imigração, fronteiras e militarização: Possibilidades de pesquisa

Prof. Jorge Prata de Sousa (UNIVERSO)
Historiografia da Guerra do Paraguai


Já estamos planejando o próximo encontro, previsto para o 1º semestre de 2018, bem como novos projetos no campo da História Militar e dos estudos de fronteiras.


IMAGEM DO DIA - 20/9/2017

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Carga de cavalaria durante a Revolução Farroupilha (1835-1845) no Sul do Brasil


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domingo, 17 de setembro de 2017

SEMINÁRIO O BRASIL E A GRANDE GUERRA NO IHGB

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Vivenciamos o centenário da Grande Guerra, o primeiro conflito total ocorrido no século XX.
Com o propósito de rememorar o evento histórico, a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro promoverão o seminário 

O BRASIL NA GRANDE GUERRA: 
INTERFACES DA PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL.


Na ocasião o editor do Blog Carlos Daróz-História Militar apresentará a comunicação 

DA ILHA DAS ENXADAS A CATTEWATER: 
OS AVIADORES NAVAIS NA GRANDE GUERRA.



Convido todos os amigos que tiverem interesse pelo tema para prestigiarem.


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sábado, 16 de setembro de 2017

A PERIGOSA ARTILHARIA MEDIEVAL

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No contexto da “revolução militar”, processada na transição da Idade Média para a Modernidade, a artilharia experimentou grande desenvolvimento, passando de uma situação de quase descrédito para constituir uma das armas essenciais no campo de batalha. Depois do assombro que os canhões causaram na Europa desde sua introdução na Batalha de Crécy, na primeira metade do século XV as bocas de fogo geralmente não metiam medo nos soldados inimigos, pois as bombardas eram extremamente imprecisas e costumavam explodir, tirando a vida dos serventes que as guarneciam. Como testemunho das limitações da artilharia, um tratado medieval manuscrito, de autor desconhecido, orientava os artilheiros sobre os perigos do manuseio das novas armas:

"[...] Primeiro – Deve honrar, temer e amar a Deus, e ter sempre defronte aos olhos o receio de o ofender, muito mais do que a qualquer outro soldado, porque todas as vezes que uma bombarda faz fogo, ou quando trabalha com a pólvora, a sua grande força e virtude faz algumas vezes rebentar o canhão de que se serve, e, quando mesmo não rebente, já é um grande perigo o poder ser queimado pela pólvora, cujos vapores são só por si uns verdadeiros venenos contra o homem."

Artilharia medieval francesa, c.1410

Como se pode observar, durante a batalha, estar ao lado do canhão era, muitas vezes, mais perigoso do que estar nas linhas inimigas, e seu efeito costumava ser mais moral do que prático.

Canhões medievais preservados eu museu europeu


Conheça essa e outras histórias lendo

A GUERRA DO AÇÚCAR - AS INVASÕES HOLANDESAS NO BRASIL

Saiba como adquirir seu exemplar enviando um e-mail para

aguerradoacucar@yahoo.com.br


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ESPADA VIKING DE 1.100 ANOS É ENCONTRADA POR CAÇADOR NA NORUEGA

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Descoberta foi considerada como isolada por arqueólogos que fizeram buscas no local

LILLEHAMMER, Noruega — Uma espada viking de estimados 1.100 anos, mas em ótimo estado de conservação, foi encontrada por um caçador de renas em uma montanha na Noruega, a 1.640 metros de altitude. A descoberta foi considerada algo isolado pelo Programa de Arqueologia Glacial do condado de Oppland, cujos integrantes estiverem no local para tentar encontrar outros objetos antigos.

De acordo com o arqueólogo Lars Pilø, que comentou o achado em seu blog, "Secrets of the Ice", uma equipe vasculhou a área em um perímetro de 20 metros a partir do exato local onde a espada foi encontrada. Nenhum outro objeto de valor arqueológico foi localizado.

A espada viking de 1.100 anos foi encontrada na Noruega

O especialista estima que a arma tenha sido forjada entre os anos 850 e 900 d.C.. Mas ele não tem ideia de como a relíquia surgiu naquela superfície gelada. Devido ao bom estado de conservação da espada, ele apenas acha que isso não aconteceu devido a um deslocamento de pedras no solo congelado, conhecido como permafrost, bastante comum naquela região.

"Também parece improvável que a espada estivesse simplesmente perdida ali, ou seja, esquecida por alguma razão e não recuperada posteriormente", afirmou. "É provável que a espada tenha pertencido a um viking que morreu na montanha, talvez por exposição (ao frio). No entanto, se esse for mesmo o caso, será que ele estava viajando nas altas montanhas apenas com sua espada? Isso é um mistério", completou.

O caçador Einar Åmbakk contou para a equipe de arqueólogos que a arma estava com o cabo para baixo, entre as pedras e com metade da lâmina para fora.

O caçador que encontrou a espada, Einar Åmbakk (à direita) e Geir Inge Follestad no local da descoberta

Os arqueólogos de Oppland consultaram o Museu de História Cultural e autoridades do Parque Nacional antes de visitar a localidade onde Åmbakk estava caçando com outro homem no início de setembro. Com eles, foi também um especialista levando um detector de metais.

Fonte: O Globo / Secrets of the Ice



II ENCONTRO DE HISTÓRIA MILITAR DO MUSEU MILITAR DO CMS

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IMAGEM DO DIA - 15/9/2017

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O general bizantino Belisário recusa a coroa da Itália oferecida pelos godos no ano 540

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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

CIÊNCIA E TECNOLOGIA NAVAL NOS SÉCULOS XIX E XX

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Uma ótima dica para quem quer conhecer mais sobre a tecnologia naval dos séculos XIX e XX, por um dos maiores especialistas no Brasil, o vice-almirante engenheiro naval e historiador Armando de Senna Bittencourt.


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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

IMAGEM DO DIA - 13/9/2017


Marston Moor, o combate durante a Primeira Guerra Civil Inglesa ocorreu em 2 de julho de 1644.

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terça-feira, 12 de setembro de 2017

GUERREIRO VIKING ICÔNICO ERA UMA MULHER, O TESTE DE DNA CONFIRMA



Um teste de DNA atesta que o corpo de um guerreiro viking, localizado no fim do século XIX, é de uma mulher.

Por Russel Young

Os restos mortais de um guerreiro Viking do século X, sepultado em Birka, Suécia, provaram ser de uma mulher, graças à evidência de DNA. A guerreira foi descoberta no final do século XIX pelo arqueólogo sueco Hjalmar Stolpe e os restos foram assumidos como sendo os de um homem, por terem sido enterrados com armas, cavalos e outras parafernálias militares.

"Na verdade, é uma mulher, em algum lugar com mais de 30 anos e bastante alta, medindo cerca de 170 centímetros", disse Charlotte Hedenstierna-Jonson, arqueóloga da Universidade de Uppsala, ao jornal The Local.

Espada viking enterrado junto com o corpo da guerreira

As descobertas foram feitas por pesquisadores da Universidade de Uppsala e da Universidade de Estocolmo e publicados no American Journal of Physical AnthropologyAlguns anos atrás, Anna Kjellström, um osteologista da Universidade de Estocolmo, estudou os restos como parte de um projeto diferente e notou que algo estava fora do previsto. Os quadris eram típicos de uma mulher e as maçãs do rosto eram mais finas do que o que se esperava de um homem. O estudo osteológico apoiou a teoria de que a guerreira era uma mulher, mas deparou-se com o ceticismo.

A análise do DNA já foi realizada, o que confirma que a guerreira era feminina. Os resultados genômicos mostraram a falta de um cromossoma Y e uma composição genética próxima à dos atuais norte-europeus, revelou o estudo.

"A identificação de uma guerreira viking feminina fornece uma visão única sobre a sociedade viking, construções sociais e exceções à norma no período Viking", disseram os autores do estudo. "Os resultados exigem cautela contra generalizações em relação às ordens sociais nas sociedades passadas".

Capacete viking (imagem ilustrativa)

"Provavelmente era bastante incomum", disse Hedenstierna-Jonson, "mas neste caso, provavelmente teve mais a ver com seu papel na sociedade e na família de onde ela era, e que traz mais importância que seu gênero".


"Esta é a primeira confirmação formal e genética de uma guerreira viking feminina", disse à Phys.org o professor Mattias Jakobsson, da Universidade de Uppsala.

Fonte: Global Look Press



segunda-feira, 11 de setembro de 2017

"NOVIK": O NAVIO QUE REVOLUCIONOU A FROTA RUSSA

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O Novik foi o primeiro contratorpedeiro universal russo e representou um salto gigante na capacidade naval do país. Reunindo o armamento mais poderoso de sua classe, teve um impacto significativo nas vitórias da Frota Báltico da Rússia na Primeira Guerra Mundial.


Por Yuri Ossokin



Na virada do século XX, os construtores navais russos causaram uma revolução na classe dos contratorpedeiros. Os navios de escolta da época eram divididos em diferentes subclasses, de torpedeiros e contratorpedeiros, a primeira armada com minas e torpedos de grande porte, e a segunda com baterias de artilharia pesada.

Esse foi o caso até 1911, quando o navio de última geração Novik deslizou pela rampa de lançamento do estaleiro Putilovski, em São Petersburgo. O protótipo do contratorpedeiro atual havia sido então colocado no mar.

Em agosto de 1915, no auge da Primeira Guerra Mundial, a batalha aconteceu no mar Báltico, na entrada do golfo de Riga, onde um único contratorpedeiro russo destruiu dois novos contratorpedeiros alemães, o V-99 e o V-100.

Esses navios haviam tentado romper o campo minado na entrada do golfo para atacar os navios da Frota do Báltico russa, que, por meio da combinação de surtidas e colocação de minas, tinha interrompido rota de abastecimento do Império Alemão para a Suécia, a fonte de minério de ferro estrategicamente vital para Tríplice Aliança da Alemanha, Austro-Hungria e Itália.

Depois de usar arrastões para limpar o caminho pelas minas, os navios alemães penetraram o golfo antes de serem interceptados.

Os atiradores russos abriram fogo a partir de uma distância de 5,5 milhas náuticas e os navios alemães imediatamente definiram um caminho paralelo e responderam com um ataque violento.  Apesar da vantagem alemã, o contratorpedeiro russo disparou uma salva contra o V-99, enquanto a embarcação navegava à frente do V-100, e, depois, passou a concentrar fogo rápido, batendo o inimigo em rápida sucessão.

Os observadores russos avistaram fumaça nas proximidades da sala de máquinas do V-99 e, logo depois, também viram que a chaminé do meio havia desmoronado. O convés de popa estava em chamas e o navio estava perdendo velocidade. Navegando para trás, o V-100 criou uma cortina de fumaça para encobrir o seu navio irmão atingido, mas, no processo, recebeu vários impactos diretos contra sua popa, que causaram um incêndio.

Batalha entre o Novik e os contratorpedeiros alemães V-99 e V-100


Os contratorpedeiros alemães em retirada protegeram as principais forças que os encobriam na entrada do golfo, mas, quando o extremamente danificado V-99 atingiu o campo minado, colidiu com uma carga e rapidamamente afundou.

E assim, o contratorpedeiro russo concluiu sua primeira experiência significativa, conquistando reconhecimento internacional antes da guerra como o melhor navio de sua classe.

Tomando por base a experiência inestimável da Guerra Russo-Japonesa de 1905, os projetistas russos rapidamente concluíram que separar contratorpedeiros em duas subclasses reduzia as capacidades dos navios mais leves das frotas de águas azuis, isto é, daquelas capazes de operar em águas internacionais.

Assim, eles começaram a projetar um contratorpedeiro universal de 1.300 toneladas que iria brecar tanto baterias de armas como poderosos torpedos. O navio também estava equipado com as mais poderosos caldeiras a óleo de sua classe e três turbinas a vapor com capacidade de potência de 35.000 que produziria uma velocidade máxima de 36 nós.

A quilha do Novik foi batida no estaleiro Putilovski em julho de 1910 e o navio foi lançado em junho de 1911. O novo contratorpedeiro combinava o armamento mais potente de sua classe, que consiste em quatro tubos de lançamento de torpedos gêmeos, que poderiam lançar salvas de oito torpedos, e quatro modernos canhões de tiro rápido de 102 mm.

A seção da popa foi também equipada com um equipamento para assentar até 50 minas ancorados de uma só vez. Nos testes, o navio alcançou a velocidade impressionante de 37,3 nós.

O Novik foi o primeiro contratorpedeiro universal russo e representou um salto gigante na capacidade naval do país.


Em comparação, os mais novos contratorpedeiros alemães, o V-99 e V-100, foram construídos vários anos mais tarde, em 1914. Apesar de seu deslocamento comparável, eles vinham equipados com apenas quatro canhões de 88 milímetros e seis tubos de lançamento de torpedo.

Trazendo um avanço no projeto de engenharia e colhendo as glórias durante a Primeira Guerra Mundial, o Novik prestou serviço longo e distinto. Renomeado pelos soviéticos como Iakov Sverdlov, sobreviveu à Revolução Russa e à Guerra Civil da década de 1920 e foi amplamente reformado e transformado no carro-chefe da frota de contratorpedeiros da Marinha Russa.



O navio entrou na guerra seguinte contra a Alemanha assumindo esse papel, fazendo a patrulha, caçando submarinos alemães, e escoltando navios de transporte e as principais embarcações da Frota do Báltico.

O contratorpedeiro Novik terminou sua jornada no mar durante uma batalha. Em 28 de agosto de 1941, ao escoltar o cruzador Kirov, durante uma tentativa audaciosa por navios soviéticos de romper o cerco alemão e finlandês em Tallinn, na Estônia ocupada pelos soviéticos, o contratorpedeiro atingiu uma mina e afundou.

Fonte: Gazeta Russa


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A GUERRA PERDIDA EM CASA - VERDADES E MITOS





Há cinquenta anos, os EUA se enfiavam no lamaçal que seria conhecido como Guerra do Vietnã, conflito entre “corações e mentes” que mudou o mundo e inventou o pacifismo.


Por Tatiana Gianini, Duda Teixeira e Júlia Carvalho

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Não tinha mais volta. No dia 14 de dezembro de 1961, John Kennedy mandou uma carta a seu colega do Vietnã do Sul, Ngo Dihn Diem, comprometendo-se a impedir que o país fosse unificado sob o regime comunista da metade norte da ex-colônia francesa. A presença de unidades de combate americanas na região só foi oficializada em 1965. Muitos historiadores, porém, consideram que a Guerra do Vietnã começou mesmo em 1961, quando os americanos se enfiaram de vez no lamaçal militar e político do primeiro grande conflito entre tropas regulares e guerrilheiros, embate que provocou uma divisão interna violenta nos EUA descrita por historiadores como uma incruenta guerra civil.

Antes do Vietnã, chamar alguém de pacifista era ofensivo. Afinal, as guerras eram “justas”. A democracia ocidental contra o fascismo de Hitler e Mussolini. Nós contra eles. No Vietnã, embaralharam-se o “nós” e o “eles”, o certo e o errado. O triunfo do mal não dependia mais apenas da indiferença dos homens de bem. A guerra era o mal e, na cabeça de muitos americanos, lutar pela paz era a única opção moral. Nasceu, assim, o pacifismo como categoria política.

A seguir, verdades, mentiras e mitos sobre o conflito que abalou a opinião pública americana.


Kennedy era contra a guerra

MITO - Entre as mais desvairadas teorias sobre as razões do assassinato de John Kennedy, em 1963, estava a de que ele pretendia retirar as tropas americanas do Vietnã, despertando assim a ira mortal dos militares mais radicais. Coisa de cabeças de vento como o diretor Oliver Stone. Kennedy era pragmático e, no discurso de posse, alertara "amigos e inimigos" de que os Estados Unidos iriam às últimas consequências para garantir o "sucesso da liberdade" no mundo. A guerra servia a seu propósito político imediato: demonstrar aos EUA e ao mundo que, mesmo jovem e sem experiência executiva, ele seria um rival a altura da velha raposa soviética, Nikita Kruschev. A malograda invasão da Baía dos Porcos, tentativa rocambolesca de derrubar Fidel Castro pelas armas, e o fracasso em impedir a construção do Muro de Berlim fizeram do Sudeste Asiático uma questão de honra para a administração Kennedy. "Demonstrar fraqueza no Vietnã significaria mais uma derrota para o comunismo e seria insuportável para Kennedy", diz o historiador americano Andrew Wiest. Sob Kennedy, a presença militar americana subiu de 600 consultores para 16.700 combatentes das três armas.


Os EUA temiam o "efeito dominó" em que à queda do Vietnã do Sul se seguiriam outras derrotas até o domínio completo do comunismo no Sudeste Asiático

VERDADE - Dois graduados assessores militares de Kennedy, o general Maxwell Taylor, famoso por saltar ao lado de seus comandados paraquedistas na invasão da Normandia em 1944, e o economista com nome de poeta Walt Whitman Rostow, foram os maiores proponentes da "teoria do dominó". O diplomata George Kennan,o pai da Guerra Fria, achava que o Sudeste Asiático deveria ser entregue ao domínio soviético sem que isso acarretasse maiores danos aos interesses globais dos Estados Unidos. Kennan foi voto vencido.


Os vietcongues eram combatentes nacionalistas sem laços ideológicos com os comunistas

MITO - Os vietcongues eram guerrilheiros sul-vietnamitas da Frente Nacional de Libertação, organismo comunista armado por Moscou e comandado pelos militares do Vietnã do Norte. Os propagandistas soviéticos venderam aos pacifistas do Ocidente a ideia de que os vietcongues lutavam apenas para expulsar os americanos e unificar seu país. Mas a abertura dos arquivos do Kremlin depois da derrocada do regime soviético mostrou que os vietcongues eram visceralmente ligados aos comunistas.


O presidente do Vietnã do Sul, Ngo Dinh Diem, era um democrata

EM TERMOS - Quando se tornou independente da França, em 1954, o pais foi dividido em dois: O Norte, sob o controle do comunista Ho Chi Minh, e o Sul, uma monarquia sob o comando do imperador Bao Dai. Seguindo os termos da convenção que pôs fim ao domínio colonial da França na região, eleições gerais deveriam ser convocadas com o objetivo de reunificar o país em 1956. Diem aproveitou-se do fato de que o Vietnã do Sul ignorou os termos da convenção, livrou-se do imperador e se declarou o primeiro presidente da República do Vietnã. Católico fervoroso, anticomunista e modernizador, Diem tornou-se aliado natural dos Estados Unidos. Suas políticas alienaram a maioria budista, e os monges deixaram o mundo estupefato ao se imolarem com fogo nos protestos contra o cató1ico Diem. Em 1963, abandonado pela Casa Branca, Diem foi deposto e morto por militares.


Os americanos não sabiam lutar na selva

EM TERMOS - As tropas americanas contavam com poucos oficiais experimentados em operações de selva, mas se adaptaram logo à floresta de clima vietnamita. Com o uso maciço de helicópteros e bombardeios de grande altitude, as forças americanas venceram quase todas as batalhas no Vietnã. Mas perderam a guerra por não terem o mandado político de manter os territórios ocupados. A guerra de "fricção" com os vietcongues e com as forças regulares do Vietnã do Norte exauriu o moral e os recursos militares americanos.
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Soldados americanos evacuando ferido através da selva


Kennedy foi levado à guerra por assessores incompetentes

EM TERMOS - os presidentes John Kennedy e Lyndon Johnson foram assessorados por homens com credenciais, egressos das grandes universidades americanas e imortalizados no livro The Best and Brightest (as Melhores e Mais Brilhantes), de David Halberstam. Suas ideias e estratégias faziam todo o sentido, mas se mostraram limitadas àquele contexto histórico. Ate os anos 60, os Estados Unidos só conheciam um método de combate, o "estilo americano de guerra". Por esse conceito, deveria ser usado todo o poder de fogo disponível para arrasar diretamente o Inimigo. Mas aniquilar o Vietnã do Norte não fazia sentido em um momento em que a União Soviética e a China já possuíam bombas nucleares, que poderiam ser usadas para defender o aliado comunista.

Os americanos então usaram a estratégia de uma guerra gradual, na qual iriam lentamente elevando o número de soldados e armas. Eles acreditavam que os inimigos perceberiam a situação de inferioridade e desistiriam da guerra. Já os comunistas empregaram a estratégia da guerra prolongada, confiando em que os americanos estavam impacientes para acabar com o conflito. "o nível de dor que Hanói estava preparada para enfrentar era maior do que o que Washington podia infligir", diz o historiador George Herring, da Universidade do Kentucky.


A população era contra a guerra desde o princípio

MITO - No início dos anos 60, o governo americano desfrutava uma de suas melhores fases em todo o século XX. O país havia vencido a 2ª Guerra Mundial e seus cidadãos aceitavam o papel dos EUA, no contexto da Guerra Fria, de conter o comunismo no mundo. O avanço vermelho era uma legítima preocupação nacional. Por isso, no começo, a maioria dos americanos apoiava a Guerra do Vietnã. O crescente custo do conflito em termos de vidas perdidas e impostos pagos, somado a uma cobertura de imprensa que apresentava com liberdade fatos cada vez mais escabrosos e que colocou as cenas da guerra dentro dos lares, fez com que os americanos passassem a rejeitar a intervenção no país Asiático.
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Protesto contra a guerra nos EUA


Os americanos guerrearam contra crianças

VERDADE - Os vietcongues não tinham escrúpulos em obrigar crianças a se submeter a treinamento militar e entrar em combate efetivo. Em sua autobiografia, a vietnamita Le Ly Hayslip afirmou que ela e outras crianças participavam de encontros noturnos, cantavam músicas revolucionárias e recebiam treinamentos de guerra como se fossem adultos. Elas eram divididas em comitês e serviam de mensageiras entre os moradores das vilas e os vietcongues. Le Ly conta como ajudou a montar armadilhas contra as tropas americanas. Segundo ela, as crianças, por serem "menores e mais ágeis", eram as preferidas para desempenhar funções de guerrilha como enterrar minas terrestres, lançar granadas a distância contra tropas americanas e cavar trincheiras.


Novas doenças mentais foram descritas

VERDADE - O stress pós-traumático, antes considerado fraqueza pessoal, foi identificado como síndrome, passível de tratamento medico. Nas guerras seguintes, os veteranos passaram a receber acompanhamento psicológico contínuo.


Pela primeira vez, os Estados Unidos enviaram mulheres para o front

EM TERMOS - As enfermeiras, que representavam 85% do efetivo feminino, receberam pela primeira vez treinamento de combate e aprenderam a atirar com os fuzis M16. Elas só tinham permissão para usá-los para se defender em ataques aos hospitais ou postos médicos. A Marinha enviou algumas aviadoras, mas nenhuma chegou perto das linhas de combate. As mulheres só puderam lutar em navios de guerra e no Exército na primeira Guerra do Golfo (1990-1991).


Pela primeira vez, negros e brancos americanos lutaram lado a lado

MITO - Na Guerra da Coreia (1950-1953), pela primeira vez os negros serviram em unidades mistas. Até a 2ª Guerra, os negros marchavam em unidades segregadas, as black divisions. Como não podiam exercer cargos de comando, eram liderados por oficiais brancos. Em 1948, o presidente Harry Truman ordenou o fim da segregação nas Forças Armadas. A Marinha e a Força Aérea já haviam abolido completamente a segregação em 1950. No Exército, o processo começou em 1951 e terminou quando os soldados já haviam voltado para casa vindos da Coreia. No Vietnã, o número de oficiais negros dobrou e, pela primeira vez, alguns deles chegaram ao posto de general.
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Soldados negros e brancos lutaram lado a lado no Vietnã


A insubordinação dos soldados americanos era comum

VERDADE - A partir de 1968, quando a rejeição à guerra se tornou generalizada, os casos de quebra de hierarquia nas Forças Armadas se multiplicaram. Em 1969, registraram-se 96 casos de frag, gíria para o assassinato com granadas de fragmentação de oficiais considerados intoleráveis pela tropa. No ano seguinte, o número de frags subiu para 209. Segundo um estudo do Congresso americano, cerca de 3% das mortes de oficiais entre 1961 e 1972 foram resultado desses atentados. Em jornais feitos por soldados no Vietnã, eram oferecidas recompensas de 50 a 1.000 dólares pela morte dos superiores.


Os americanos foram derrotados na Ofensiva Tet

MITO - Os americanos foram bem-sucedidos ao rechaçar a maior ofensiva lançada pelos norte-vietnamitas contra as grandes cidades do Vietnã do Sul, em janeiro de 1968. Apesar dos ganhos iniciais dos comunistas, que mataram um americano a cada 23 minutos, o ataque foi um fracasso militar. A reação sul-vietnamita foi rápida e poderosa. Dos 84.000 soldados do norte e vietcongues envolvidos, 58.000 foram aniquilados, o que quase deu fim à guerrilha.


O Vietnã inaugurou a era das celebridades engajadas

VERDADE - Em 1972, a atriz Jane Fonda esteve em Hanói, no Vietnã do Norte. Visitou hospitais, assistiu a espetáculos de dança e discursou na rádio local, onde comentou as "maravilhas" do regime comunista: "Apesar das bombas, este povo tem a própria terra, constrói a própria escola, as crianças aprendem. O analfabetismo esta sendo erradicado. Em outras palavras, o povo tem o poder em suas mãos". Ela disse que os prisioneiros americanos eram bem tratados pelo inimigo e, de capacete, posou para a foto sentada em um canhão de bateria antiaérea. Era uma americana sentada em uma arma que havia sido usada para matar americanos. A ousadia fez com que Jane ganhasse popularidade e, ao mesmo tempo, passasse a ser considerada por muitos como uma traidora. Seus críticos a chamaram de "Hanói Jane". Apesar de ter pedido desculpas pelo que fez, em 1988, Jane Fonda foi precursora dos desmiolados do mundo pop que adotam causas apenas para se promover.
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Jane Fonda durante sua visita a Hanói


Os artistas e intelectuais americanos foram contra a guerra

EM TERMOS - Os intelectuais, sim. Os artistas se dividiram. Muitos se empenharam em levantar o moral das tropas e em entretê-las. Jogadores da Liga Nacional de Futebol Americano (NFL), os galãs de filmes de faroeste John Wayne e Clint Eastwood e a cantora Nancy Sinatra, filha de Frank Sinatra, entre outros, fizeram visitas e shows para os soldados no Vietnã. As apresentações do comediante Bob Hope eram especialmente populares, pois contavam com a participação de lindas assistentes de palco. Em um desses shows, a atração principal foi a atriz e modelo Raquel Welch, ícone dos anos 60.


Milhares de jovens fugiram para não ser recrutados

VERDADE - A alternativa mais viável para os jovens que não queriam ir para a guerra era fugir. Calcula-se que 600.000 homens tenham saído dos EUA. Boa parte dos desertores foi para o México e para o Canadá. Eles eram conhecidos como draft dodgers (fugitivos do alistamento) e, numa inversão de papéis, tratados como heróis no país. "Garotas dizem sim para garotos que dizem não", lia-se em cartazes antiguerra. Mais de 200.000 foram processados pela Justiça por deserção. O número aumentou após 1968, quando se passou a acreditar que a guerra no Sudeste Asiático não seria ganha. A situação só foi regularizada em 1977, dois anos depois do fim do conflito, quando Jimmy Carter assumiu a Presidência e decretou anistia a todos os que fugiram à obrigação.


As Forças Armadas americanas foram obrigadas a se profissionalizar

VERDADE - Para o esforço de guerra no Vietnã, os conscritos - soldados alistados compulsoriamente - eram essenciais. Representavam um em cada três soldados. Conforme a oposição à guerra crescia, contudo, a prática do recrutamento obrigatório se tornava insustentável. Em 1973, por iniciativa do presidente Nixon, todos os integrantes das Forças Armadas americanas passaram a ser profissionais. Essa regra vale até hoje.


Os protestos contra a guerra foram sempre pacíficos

MITO - Nem só de "paz e amor" se alimentaram as manifestações antiguerra. Em 1968, depois da Ofensiva Tet, quando a indignação pública contra a morte sem sentido de jovens americanos aumentou, postos de alistamento foram invadidos em Baltimore, Milwaukee e Chicago. Cerca de 10.000 pessoas tentaram entrar na Embaixada dos Estados Unidos em Londres. A polícia reagiu com bombas de gás, enquanto os manifestantes jogavam pedras, com um saldo de 86 pessoas feridas. Nos Estados Unidos, em 4 de maio de 1970, quatro estudantes foram mortos pela Guarda Nacional de Ohio, durante um protesto na Universidade de Kent; que começou após o anúncio de que o presidente Nixon enviaria mais tropas ao Camboja, para conter a influência vietcongue no país.


A reação à guerra levou ao surgimento do movimento hippie

EM TERMOS - O movimento hippie expandiu-se nas universidades da Califórnia na década de 60 junto com a crescente insatisfação com o envolvimento americano na guerra. Mas a semente do movimento também havia sido plantada em outras searas, e provavelmente teria brotado com ou sem a guerra distante. Os hippies eram contra o sisterna (o clássico "tudo isso que esta aí, o capitalismo, a bomba nuclear, as regras de conduta, o terno, o banho e o cabelo curto). Praticavam o amor livre, divertiam-se com LSD e maconha, sempre ao som de muito rock lisérgico e declarações de "faça amor, não faca guerra".


Os Estados Unidos perderam a guerra na frente de batalha

MITO - A guerra foi perdida em casa.  Os americanos demonstraram ampla supremacia militar e venceram quase todas as batalhas, mas lutaram na defensiva, temendo atrair a União Soviética e a China para o conflito. O inimigo resistiu até o momento em que a opinião pública americana, chocada com as imagens transmitidas diariamente e em cores pela televisão, se voltou contra a guerra.


Woodstock foi o primeiro festival de música com engajamento político

EM TERMOS - Os quatro jovens que criaram o festival de rock mais famoso do mundo tinham como único objetivo ganhar dinheiro. O público queria apenas se divertir, como em todo bom evento de música. Os organizadores esperavam 50.000 pessoas, mas logo nos primeiros dias as cercas foram derrubadas e decidiu-se que o festival seria gratuito. Meio milhão de pessoas compareceram. No palco, alguns artistas cantaram músicas contra a Guerra do Vietnã. "Country" Joe McDonald entoou, vestindo uma roupa militar esfarrapada, uma canção de protesto que ironizava um recrutador: "Por que estamos lutando? / Não me pergunte, não dou a mínima / A próxima parada é o Vietnã". Jimi Hendrix tocou o hino nacional americano na guitarra, simulando o barulho de bombas. Mas a multidão era tão grande que os organizadores foram obrigados a chamar helicópteros do Exercito para levar os artistas embora.
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O Festival de Woodstock reuniu opositores à guerra


O conceito do que é ser americano mudou

VERDADE - Francisco Mendoza-Martinez, que tinha dupla cidadania, americana e mexicana, mudou-se para o México em 1942 e só retornou aos Estados Unidos em 1946, para escapar do alistamento para a 2ª Guerra. A justiça decidiu tirar seu passaporte e extraditá-lo. Martinez apelou para a Suprema Corte. Apenas em 1963, justamente quando o. atoleiro no Vietnã se tornava mais profundo e o ritmo de recrutamento crescia, a Suprema Corte julgou o caso e decidiu, por cinco votos contra quatro, que, apesar de o serviço militar ser um dever do cidadão, o governo não poderia retirar a cidadania apenas por esse motivo. Isso é inconstitucional porque nega a pessoa o direito de uma pena justa, nos moldes americanos. 


Nunca houve tantos amputados

VERDADE - A 1ª Guerra Mundial (1914-1918) inaugurou a era dos combates ininterruptos. Até então, havia pausas para que se retirassem os mortos e feridos do campo. Foi a primeira vez que médicos tiveram algum tipo de treinamento militar e entraram no meio das batalhas, localizando os feridos e realizando os primeiros socorros ali mesmo. Desde então, avanços na medicina e nos meios de resgate rápido (como jipes e helicópteros) possibilitaram a diminuição das mortes. Uma das técnicas que mais evoluíram foi a da amputação, que evitava que as feridas provocadas por balas ou estilhaços de bomba infeccionassem e afetassem outras partes do corpo, causando a morte. A proporção de amputados entre os feridos, que na 1ª Guerra foi de 2%, na 2ª Guerra passou para 5% e no Vietnã chegou a 19%.

Fonte: Veja


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