"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



domingo, 19 de fevereiro de 2017

VEM AÍ A SEGUNDA EDIÇÃO DE UM CÉU CINZENTO: A HISTÓRIA DA AVIAÇÃO NA REVOLUÇÃO DE 1932

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VEM AÍ A SEGUNDA EDIÇÃO DE UM CÉU CINZENTO

Encontra-se em fase final de editoração a segunda edição do livro UM CÉU CINZENTO: A HISTÓRIA DA AVIAÇÃO NA REVOLUÇÃO DE 1932., de autoria de Carlos Daróz, editor do Blog.

Em breve você poderá conhecer mais sobre como as aeronaves de combate foram empregadas durante a Revolução de 1932.

Na imagem abaico, um Waco CSO da Aviação Militar, "vermelhinho", fotografado no campo de aviação de Pouso Alegre-MG.


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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

OS SUBMARINOS SOVIÉTICOS NA 2ª GUERRA MUNDIAL

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Na Síria, a Rússia mostra que sua frota é uma das mais poderosas do mundo. Mas por trás do êxito estão décadas de trabalho que remontam à Segunda Guerra Mundial.

Por Aleksandr Verchínin


Às vésperas da Segunda Guerra Mundial a frota de submarinos da Marinha soviética era a maior do mundo. Em termos numéricos, ela tinha mais que o dobro de submarinos da Marinha dos Estados Unidos e quase o quádruplo da alemã (Kriegsmarine).

Mas as tarefas dessa frota eram bastante restritas. Devido à sua posição geográfica, a União Soviética não podia lutar pela supremacia nos oceanos, já que tinha saídas para o mar aberto apenas em duas regiões.

Assim, não havia possibilidade de implantar uma infraestrutura naval completa nem na região do círculo polar, nem no Extremo Oriente. Restavam apenas os mares fechados - Negro e Báltico. Após o início da guerra, acreditava-se que a Marinha Soviética pudesse atacar as comunicações marítimas do inimigo justamente nessas áreas.

A URSS não podia competir em força com os navios de superfície alemães. Além disso, a participação da Grã-Bretanha, que tinha a maior frota do mundo, malograva as perspectivas soviéticas.

O mais prudente então era aprimorar a frota de submarinos: com custo relativamente baixo, era possível montar uma força poderosa o suficiente para desempenhar papel importante no cenário naval da guerra.


Combates submarinos

Historiadores revelaram recentemente um fato digno de nota, mas pouco conhecido do grande público: a Marinha soviética afundou mais submarinos alemães que os aliados ocidentais. Dos nove submarinos da Kriegsmarine afundados, quatro foram destruídos por submarinos soviéticos. A Marinha da URSS, por sua vez, perdeu apenas três.

Os militares travavam verdadeiros combates subaquáticos nas águas geladas do mar Báltico e do mar de Barents. Um dia após o ataque alemão à União Soviética, o submarino alemão U-144, aproveitando-se de sua superioridade em armamentos, afundou o soviético M-98.

O submarino soviético M-98 foi afundado pelo U-144 no segundo dia da invasão alemã


O próprio U-144, porém, seguiu o mesmo destino pouco mais de um mês depois. Próximo ao litoral da Estônia, o submarino soviético Schuka não deu chances ao capitão alemão, com disparos certeiros de dois tubos de torpedos.

Dois anos depois, outro combate terminou com vitória soviética. O U-639 alemão, que tinha emergido e se ocupava em dispor minas no mar de Barents, foi atingido por três torpedos soviéticos. A ação era totalmente inesperada para a tripulação alemã.


Armas subaquáticas da URSS

Os submarinos soviéticos agiam com rapidez e eficiência nas batalhas da Segunda Guerra Mundial. Os submarinos da série “Maliútka” ("Pequenino") dificilmente poderiam ser classificados como "terríveis". Compactos a ponto de serem transportados por via férrea, eles sacrificavam não só o conforto da população, mas também sua segurança.

Esse submarino tinha apenas uma central energética, seu grau de resistência não lhe permitia mergulhar a profundidades aceitáveis para a realização de combates e uma tempestade severa poderia, literalmente, quebrá-lo ao meio. Mas as falhas técnicas eram compensadas pelo treinamento da tripulação, e foram eles que derrubaram mais de 60 embarcações de transporte e 8 de navios de guerra inimigos.

Submarino Maliútka fotografado na foz do rio Kopi

Os submarinos soviéticos do tipo “S” ou "Srêdniaia” ("Médios"), eram uma novidade para a época. Mesmo não podendo usar todas as suas potencialidades de combate nas águas rasas e densamente minadas do mar Báltico, seus feitos impressionam.

Por ironia do destino, os protótipos dos submarinos do tipo "S" foram os análogos alemães. Mas os construtores navais soviéticos alteraram significativamente o projeto original, adaptando-o a equipamentos e armamentos nacionais.

O resultado foram submarinos versáteis e tão fortes que, durante a guerra, um deles foi submetido a quase cem ataques por bombas de profundidade e não sofreu qualquer dano.

Fonte: Gazeta Russa



domingo, 12 de fevereiro de 2017

MORRE AOS 94 ANOS O TENENTE-GENERAL HAL MOORE, HERÓI DO VALE DO IA DRANG

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O tenente-general reformado Harold G. "Hal" Moore, o herói americano conhecido por salvar a maioria de seus homens na primeira grande batalha entre os EUA e os exércitos norte-vietnamitas, faleceu aos 94 anos.

Joseph Galloway, que com Moore foi co-autor do livro "We Were Soldiers Once ... and Young", confirmou no sábado que Moore morreu na sexta-feira enquanto dormia em sua casa em Auburn, Alabama.

Galloway disse que Moore, seu amigo de 51 anos, morreu dois dias antes de completar seu 95° aniversário. "Há algo que falta nesta terra agora. Perdemos um grande guerreiro, um grande soldado, um grande ser humano e meu melhor amigo", disse Galloway.

Moore era mais conhecido por sua ação em 1965, durante a batalha do vale do Ia Drang, onde, no posto de tenente-coronel, comandou o 1° Batalhão do 7° Regimento de Cavalaria. Sua ação foi retratada posteriormente no filme "We Were Soldiers" (no Brasil, "Fomos Heróis”), no qual o ator Mel Gibson interpretou Moore. O livro "We Were Soldiers Once ... and Young" conta o que aconteceu com cada soldado envolvido na campanha de 34 dias e na batalha de quatro dias, onde  234 soldados americanos morreram nas zonas de aterragem X-Ray e Albany em novembro de 1965.

Helicópteros americanos desembarcam tropas nas zonas de aterragem no Ia Drang. Na ocasião, a unidade comandada por Hal Moore colocou em prática a nova doutrina de aeromobilidade introduzida no Exército dos EUA e que seria amplamente utilizada no Vietnã


Ainda no Brasil, Moore ficou conhecido por escrever o capítulo “A batalha do Ia Drang” do livro “Sete Combates no Vietnã”, editado pela Biblioteca do exército em 1986.

Galloway, um correspondente de guerra aposentado da United Press International, disse que Moore foi "sem dúvida um dos melhores comandantes que já vi em ação."

"Aqueles de nós que sobreviveram na zona de aterragem X-Ray o fizemos devido à sua capacidade de comando. Eu acho que cada um de nós pensou que íamos morrer naquele local, exceto Hal Moore. Ele tinha certeza de que estávamos indo para ganhar a luta e ele estava certo ", Galloway lembrou.

Capa do livro "Sete combates no Vietnã", publicado no Brasil e no qual Moore escreveu sobre a Batalha do Vale do Ia Drang


Galloway e Moore escreveram um segundo livro, "We are soldados still" que ele disse surgiu de uma viagem de volta aos campos de batalha do Vietnã, 25 anos depois. "Voltamos e caminhamos por aqueles velhos campos de batalha. No final do dia, o coronel Hal Moore e Nguyen Huu An, um ex-comandante norte-vietnamita, estavam em uma clareira e oraram pelas almas de todos os homens que morreram em ambos lados".

Ele disse que os dois compartilharam uma "irmandade instantânea que cresceu em combate." "Quando estávamos discutindo o contrato do livro com um advogado/agente, ele pediu para ver o contrato entre mim e Hal Moore, e Hal Moore disse: 'Eu acho que você não entende. Este não é apenas uma questão de dinheiro. Nós confiamos nossas vidas um ao outro no campo de batalha e nós não tivemos contrato antes disso. Eu absolutamente concordo.’ "

Uma das citações mais conhecidas de Moore que deixa clara sua experiência em combate: "Soldados americanos em batalha não lutam por algo que o Presidente diz na TV, não lutam pela mamãe, por torta de maçã, ou pela bandeira americana ... eles lutam uns pelos outros."


A página do Facebook gerenciada pela família de Moore, informou  que ele morreu na data de aniversário de sua esposa Julia, que faleceu em 2004 após 55 anos de união. "A mãe chamou o pai para casa em seu dia", disse o comunicado. "Depois de ter um acidente vascular cerebral na semana passada, meu pai estava mais letárgico e tinha dificuldade de falar, apesar de ele sempre lutar por seu caminho de volta."

Antes de servir no Vietnã, Moore se formou na Academia Militar dos Estados Unidos em West Point e, anos depois, comandou um batalhão na recém-criada 11ª Divisão de Assalto Aeromóvel em Fort Benning. Nascido em Bardstown, Kentucky, ele serviu no exército EUA por 32 anos.

Algumas das condecorações recebidas por Hal Moore ao longo de sua carreira

Galloway disse que a família agendou os serviços religiosos em Auburn e o serviço memorial no Museu Nacional da Infantaria em Fort Benning , em Columbus, Georgia.

Fonte: Star and Stripes

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GENERAL RATKO MLADIC

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Mladic foi o responsável direto pelo massacre de Srebrenica, em julho de 1995, e é considerado um dos maiores criminosos de guerra da era contemporânea


* 12/3/1943 - Božanovic, Iugoslávia


Ratko Mladić é um ex-general sérvio, comandante do Exército da República Sérvia durante a Guerra da Bósnia entre 1992-1995. Mladić comandou diretamente o Massacre de Srebrenica em julho de 1995, que causou a morte de oito mil muçulmanos bósnios e o cerco de 43 meses a Sarajevo, onde milhares de civis foram mortos por fogo de artilharia e de franco-atiradores instalados nas colinas ao redor da cidade.

O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia manteve por mais de quinze anos uma ordem internacional de captura e detenção contra ele, baseada em sua regra 61, que considera o ex-general sérvio-bósnio como provável perpretador de crimes de guerra e crimes contra a Humanidade. A Sérvia e os Estados Unidos chegaram a oferecer cinco milhões de euros por informações que levassem à captura de Mladić e, em outubro de 2010, o governo sérvio intensificou seus esforços pela captura do fugitivo, dobrando a recompensa por informações para €10 milhões.  A prisão de Mladić era uma condição fundamental exigida pela União Europeia para possibilitar o ingresso da Sérvia no organismo.

Depois de desaparecido por mais de uma década, Mladić foi finalmente preso na Sérvia em 26 de maio de 2011, com o anúncio de sua prisão feito em Belgrado pelo presidente do país Boris Tadić, que declarou que a prisão do ex-general "removia um fardo pesado dos ombros da Sérvia e fechava uma página infeliz da história do país."

 
Primeiros anos e carreira militar

Mladić nasceu durante a Segunda Guerra Mundial na pequena vila de Božinovići, a sudeste de Sarajevo. Na época, o lugar fazia parte da Estado Independente da Croácia, um Estado fantoche de curta existência criado e mantido pela Alemanha Nazista e pela Itália fascista de Mussolini após a invasão e desmembramento da antiga Iugoslávia, em 1941. Seu pai, um militar líder dos sérvios-bósnios, foi morto em 1945 quando participava de um ataque da resistência iugoslava contra à casa do líder fascista croata Ante Pavelić.

Mladić entrou para Escola Industrial Militar de Zemun em 1961, depois cursou a Academia Militar KOV e a Academia de Oficiais, onde se formou com as melhores notas de sua classe. Em 1965, seu primeiro posto como oficial foi na cidade de Skopje, onde era o mais jovem soldado da unidade que comandava. Começando com a patente de segundo-tenente, ele rapidamente ascendeu na cerreira de oficial, primeiro comandando um pelotão, depois um batalhão e finalmente uma brigada do exército. Em 1989, foi promovido a chefe do departamento de educação do 3º Distrito Militar de Skopje.

Em 1991, um ano de tensões entre os sérvios e a população de maioria albanesa de Kosovo, Mladić comandou o 9º Corpo do Exército Popular da Iugoslávia contra as forças croatas em Knin, a auto-declarada capital da República Sérvia de Krajina.  Em 4 de outubro daquele ano foi promovido a major-general. As forças sob seu comando participaram da Guerra da Croácia, principalmente na operação militar que tentou separar a Dalmácia do resto da Croácia.

Em 24 de abril de 1992 foi promovido a coronel-general e poucos dias depois, um mês após a declaração de independência da República da Bósnia, Mladić e seus homens bloquearam a cidade de Saravejo, fechando seu espaço aéreo e cortando toda a água e eletricidade da cidade. Este ato deu início aos quatro anos do Cerco de Sarajevo, o mais longo cerco a uma cidade na história da guerra moderna.  Neste período a cidade foi bombardeada por fogo de artilharia e tiros de franco-atiradores das forças de Mladić espalhados a seu redor.

Em 12 de maio de 1992, em resposta à auto-secessão dos bósnios à Iugoslávia, o parlamento separatista sérvio-bósnio criou o VRS, o Exército da República Srpska e Mladić foi nomeado comandante desse exército, posto que manteve até dezembro de 1996. Em junho de 1994 ele assumiu o comando de uma força militar de 80 mil homens estacionados na área.

O general Mladic fotografado durante a Guerra da Bósnia

Em julho de 1995, tropas sob seu comando, atormentadas pelos ataques aéreos de forças da ONU que tentavam fazer com que o ultimato de remover armas pesadas da área de Sarajevo fosse cumprido, ocuparam áreas declaradas como de "segurança da ONU" em Srebrenica e Žepa. Na primeira, cerca de 40 mil bósnios-muçulmanos que lá se encontravam foram expulsos e cerca de 8.300 deles assassinados por ordens de Mladić.

Em novembro de 1995, ele foi indiciado por genocídio em Srebrenica. O juiz Fouad Riad, do Tribunal Penal Internacional em Haia, declarou que os eventos ali ocorridos foram "verdadeiras cenas do inferno, escritas nas páginas mais negras da história humana", em referência às execuções sumárias de milhares de homens enterrados em covas coletivas, mulheres violadas, mutiladas e assassinadas, crianças mortas na frente de seus pais e um avô que foi obrigado a comer o fígado de seu próprio neto morto.

Em 4 de agosto de 1995, com uma grande força militar croata posicionada para atacar a região de Krajina na Croácia central, Radovan Karadžić, então presidente da República Srpska, retirou Mladić do comando do VRS e assumiu o posto ele próprio. Karadzic culpou Mladić pela perda de duas cidades na Sérvia ocidental que haviam caído recentemente em mão dos croatas ele usou essa desculpa para justificar as mudanças no comando da guerra.

Mladić foi rebaixado ao posto de "conselheiro", mas recusou-se a aceitar a ordem pacificamente, pedindo o apoio do povo e dos militares sérvio-bósnios. O presidente tentou desqualificá-lo classificando-o como "louco", mas a óbvia popularidade do general entre o povo e as forças armadas o obrigou a rescindir a ordem uma semana depois.

Em 8 de novembro de 1996 o novo presidente da República sérvio-bósnia, Biljana Plavšić, demitiu Mladić do posto. O general, porém, continuou a receber pensão militar até novembro de 2005.


Criminoso de guerra

Em 24 de julho de 1995 Mladić foi indiciado por crimes contra a Humanidade, crimes de guerra e genocídio pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex-Iugoslávia, incluindo o uso de franco-atiradores contra os civis de Sarajevo.  Em 16 de novembro de 1995 as acusações foram ampliadas para comportar as ações do general nas áreas de segurança da ONU em Srebrenica, onde ele também foi responsabilizado por fazer reféns entre o pessoal da ONU na área, entre estes, dois oficiais brasileiros.

Após o fim da guerra, mesmo com seu pedido de captura feito pelo TPI, o general viveu livremente até 2001, quando da prisão de Slobodan Milošević, ex-presidente da Sérvia e da República Federal da Iugoslávia. Desaparecendo então dos olhos do público, Mladić tornou-se um fugitivo do Tribunal e suspeitou-se por muito tempo que ele se escondia em alguma região entre a Sérvia e a república bósnia de Srpska. Entre os vários lugares onde teria sido visto estavam um jogo de futebol ocorrido em 2000 entre a China e a Iugoslávia em Belgrado, cercado de guarda-costas, num subúrbio de Moscou, em Atenas ou num bunker dos tempos da guerra, em Han Pijesak, perto de Sarajevo.

Em novembro de 2004, oficiais de departamento de defesa britânico admitiram que o uso da força militar não era o mais apropriado para capturar o fugitivo e outros suspeitos para levá-los a julgamento. Um mês depois disso, em dezembro de 2004, veio a público a notícia que o exército sérvio, apesar de proclamar publicamente repetidas que tentava colaborar com o Tribunal em localizar e entregar acusados de crimes de guerra, escondeu e protegeu Ratko Mladić até o verão de 2004.

Em junho de 2006, começaram a aparecer notícias de que o general havia sofrido um ataque do coração e teria poucas possibilidades de sobreviver. Ao mesmo tempo, o presidente do Partido Democrata da Sérvia, Andrija Mladenović, levantava a questão de quem seria o responsável pela suspensão das negociações com a União Europeia - que recusava a entrada da Servia na organização enquanto Mladić não fosse preso - se o general morresse. Algumas fontes informavam que sua aparência tinha mudado completamente devido à idade e a uma saúde frágil.

Em 16 de junho de 2010 a família de Ratko Mladić entrou com uma petição junto ao governo sérvio para que ele fosse declarado morto, em virtude de seu desaparecimento por sete anos. Se a petição fosse aprovada, a esposa de Mlatic poderia vender a propriedade em que morava e receber uma pensão vitalícia do Estado. O pedido, entretanto, foi rejeitado pelas autoridades sérvias.


Captura e prisão

Finalmente, quinze anos após seu indiciamento pelo TPI e dez anos após seu desaparecimento público, Ratko Mladić foi preso em 26 de maio de 2011, no vilarejo de Lazarevo, na província de Vojvodina, no norte da Sérvia, onde vivia sob o nome falso de 'Milorad Komadic'. Apesar de usar um nome falso, o fugitivo não foi preso usando alguma barba ou disfarce, apenas sua aparência tinha envelhecido bastante e um de seus braços era vítima de paralisia.

Mladic durante audiência no Tribunal Penal Internacional 

O anúncio de sua prisão foi feito em Belgrado pelo presidente do país Boris Tadić, que declarou que a prisão do ex-general "removia um fardo pesado dos ombros da Sérvia e fechava uma página infeliz da história do país."

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sábado, 4 de fevereiro de 2017

IMAGEM DO DIA - 4/2/2017

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Tropas Federais mexicanas à espera de Francisco Villa na cidade de Torreón.



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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

"ATÉ O ÚLTIMO HOMEM": SOLDADO RETRATADO EM FILME DE MEL GIBSON SE RECUSOU A MATAR INIMIGOS POR TEMOR A DEUS

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Personagem principal do novo filme de Mel Gibson, Desmond Doss teve um testemunho impactante de superação e desafios para conservar seus valores de fé, durante a Segunda Guerra Mundial.


Quando Mel Gibson revelou que novo filme seria um drama sobre a Segunda Guerra Mundial e o primeiro homem a contrariar as 'regras de guerra', se recusando a pegar em armas, o ator e diretor teve cinco palavras para descrever o soldado da história: 'heróis reais não vestem Spandex' — fazendo referência ao tecido comumente utilizado para a fabricação das roupas super heróis dos quadrinhos.

O filme "Hacksaw Ridge" (no Brasil, "Até o último homem") conta a verdadeira história de Desmond Doss, um rapaz adventista que se alistou no exército durante a Segunda Guerra Mundial, determinado a salvar vidas na linha de frente como um médico, mas se recusou a carregar uma arma consigo, porque dizia que sua fé não permitia atirar em alguém.

Doss, que morreu em 2006, foi condecorado com a Medalha de Honra do Congresso pelo presidente Harry Truman em 1945, após salvar sozinho a vida de mais de 75 de seus companheiros, durante a batalha de Okinawa (Japão).

O presidente Harry Trumman condecora Doss com a Medalha de Honra do Congresso


Durante a batalha, seu batalhão foi atacado no topo de um penhasco de mais de 120 metros de altura — local que acabou dando nome ao filme 'Hacksaw Ridge' ('Cume de Hacksaw').  Os soldados norte-americanos escalaram a montanha, mas foram recebidos com lança-chamas e tiros de metralhadora dos japoneses.  Enquanto outros recuavam, Doss — um socorrista interpretado por Andrew Garfield no filme — recusou-se a procurar abrigo e passou a cuidar dos feridos feridos. Ele levou os homens, um por um, à beira do precipício e os desceu baixo, usando uma maca que ele mesmo improvisou.

Doss, um membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, cresceu em Lynchburg, Virginia. Quando ele era criança, seu pai comprou um poster emoldurado dos 'Dez Mandamentos' e uma dessas ordenanças falava forte ao coração do garoto: "Não matarás".  "Eu me perguntava: 'como no mundo, poderia um irmão fazer uma coisa dessas?'. A ideia de matar alguém simplesmente imprime um horror no meu coração. Como resultado eu levei isso para o lado pessoal, como se Deus me dissesse: 'Desmond, se você me ama, você não vai matar ninguém", disse Doss certa vez a Larry Smith, durante o documentário 'Beyond Glory', que contava a história de soldados que ganharam medalhas de honra.

Desmond Doss cresceu em uma cidade pequena, na borda das montanhas de Blue Ridge, na Virgínia (EUA), onde ele acabou vendo seu pai bêbado abusar de sua mãe.

O filme 'Hacksaw Ridge' mostra um incidente de sua infância, no qual Doss entrou em uma briga com seu irmão e acertou a cabeça do garoto com com um tijolo. O acontecimento deixou Desmond muito arrependido. Logo depois, Doss tornou-se um pacifista e passou a se interessar cada vez pela medicina, embora não tivesse condições financeiras para bancar os estudos em uma faculdade.

Em abril de 1942, Doss estava com 23 anos e trabalhava em um estaleiro, quando foi chamado para o exército. Ele teve o direito de tornar-se um 'objetor de consciência', depois de ter se recusado a portar armas, devido a seus princípios de fé. Em seguida, ele se alistou no exército como médico.  Ele escolheu se tornar um socorrista, com o objetivo de seguir o sexto e o quarto mandamentos: honrar o sábado.  Apesar dos adventistas do sétimo dia considerarem a importância de guardar o sábado, Doss acreditava que não haveria problemas em servir como socorrista sete dias por semana, alegando que "Cristo curou no sábado".

Desmond Doss com suas condecorações


"Eu senti que era uma honra servir a Deus e ao meu país", disse ele ao Richmond Times-Dispatch, em 1998. "Eu não queria ser conhecido como alguém que violou as regras do exército, mas tenho certeza que não sabia exatamente no que eu estava entrando".

Pouco antes de entrar efetivamente para o serviço militar em agosto de 1942, Doss se casou com sua namorada, Dorothy, uma enfermeira. 

Doss enfrentou o preconceito dos outros soldados, devido à sua devoção à oração, sua recusa em pegar em armas e comer carne, além do respeito que tinha com relação ao sábado. Certo dia, de acordo com o New York Times, um oficial tentou classificá-lo como um portador de doença mental.  O pacifismo de Doss o levou a ser ameaçado por uma corte marcial, mas o problema foi resolvido e ele foi para a guerra.

Já na batalha de Okinawa, na primavera de 1945, foi durante um sábado, 5 de maio, que Doss e seus companheiros de tropa viveram os momentos de tensão, escalando o cume de Hacksaw. Ele conseguiu descer os soldados feridos do penhasco usando um tipo de maca improvisada, apoiada por uma corda que ele havia, com nós que havia aprendido a dar quando era criança e brincava de marinheiro. Depois de descer cada homem ferido, Doss desceu da montanha ileso.  Acredita-se que Desmond tenha salvo mais de 75 soldados, porém ele mesmo corrigiu este número, baixando esta conta para aproximadamente 50 homens. 

Pouco mais de duas semanas depois, em 21 de Maio, Doss foi ferido nas pernas por uma explosão de granada, durante um ataque noturno, enquanto permanecia em território exposto, ajudando outros soldados. De acordo com informações passadas na citação de sua Medalha de Honra, ele cuidou de seus próprios ferimentos, em vez de pedir a ajuda de um outro soldado.  Doss esperou por cinco horas, até que dois de seus companheiros conseguiram alcançá-lo para levá-lo a um local seguro.

Doss e os homens que o levavam foram depois capturados em um ataque inimigo. Quando Doss viu um homem mais gravemente ferido nas proximidades, se arrastou em direção à maca daquele soldado para ajudar a tratar dos ferimentos de seu colega. Mas, enquanto esperava que os carregadores da maca voltassem, Doss foi atingido novamente e fraturou o braço. Ele improvisou uma tala e se arrastou por cerca de 275 metros até um posto de socorro.

Em 12 de outubro de 1945, o presidente Harry Truman condecorou Doss com a Medalha de Honra por suas ações em Okinawa. "Através de sua coragem excepcional e determinação inabalável diante das condições desesperadamente perigosas, Doss salvou a vida de muitos soldados", dizia o texto da Medalha de Honra. "Seu nome tornou-se um símbolo de toda a 77ª Divisão de Infantaria pela bravura excepcional, muito acima e além do que o dever chama".

Desmond Doss com sua esposa Dorothy


Nos cinco anos seguintes, Doss teve que passar por diversos hospitais para tratar seus ferimentos, e também acabou perdendo um pulmão, devido à tuberculose.

Por causa de suas doenças, Desmond não conseguiu encontrar um trabalho estável e acabou se dedicando à vida ministerial. Trabalhou com jovens em programas patrocinados pela igreja nos estados da Geórgia e do Alabama. Na década de 1950, Doss e sua esposa Dorothy se mudaram para a cidade de Lookout Mountain, a noroeste da Geórgia, onde construíram uma casa e criaram seu filho, Desmond Jr, de acordo com registros da Biblioteca da Virgínia.

Dorothy morreu em um acidente de carro, em 1991 e Doss casou-se com Frances May Duman, uma viúva com três filhos adultos, em 1993. Doss morreu, aos 86 anos, em março de 2006, em razão de uma grave doença respiratória. Ele foi enterrado no cemitério nacional de Chattanooga, no Tennessee (EUA).



Garfield — o ator que interpreta Doss no novo filme — ficou famoso anteriormente por fazer o papel do herói dos quadrinhos, Homem Aranha. Porém o astro de Hollywood não escondeu a satisfação em ter atuado no papel mais recente e afirmou que o soldado cristão foi muito mais inspirador do que o herói mutante.

"Ele tinha uma sabedoria em seu coração, entendendo que ele não deveria tirar a vida de um homem, mas queria servir a algo maior do que ele e encontrou sua própria forma de fazer isso", acrescentou.

"Hacksaw Ridge" foi lançado nos cinemas dos EUA no dia 4 de novembro. A pré-estreia no Festival de Veneza terminou com aplausos que duraram cerca de 10 minutos.

Fonte: Portal guiame.com.br


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

IMAGEM DO DIA - 30/1/2017

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Durante a guerra de 1866, a infantaria prussiana investe contra uma bateria de canhões austríaca

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

UMA ARMA UNIFORME CONTRA OS INIMIGOS

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Muitos consideram que a história do uniforme militar na Rússia teve início com o czar Pedro I, o Grande. No entanto, em busca de maior unidade e eficiência, tropas russas do século 16 já contavam com soldados uniformizados.

Por Aleksandr Verchínin


O uniforme militar não tem como objetivo servir à moda. É claro que o soldado deve ter um aspecto impecável, mas também não deve se destacar por sua aparência – aqui a moda se sujeita a leis diferentes das da vida social. Como um elemento integrante do Exército regular, o uniforme disciplina, cria um elo especial entre os soldados e, em última instância, introduz um sistema especial de diferenciação.

Na Idade Média não existia a noção de vestimenta militar uniformizada. Todo mundo vestia o que calhava. Quanto mais de destacava a armadura do cavaleiro, maior era o seu status. Já o soldado moderno, ganha não por suas qualidades individuais, mas como parte de uma formação militar – justamente a união que o uniforme simboliza.

Na Rússia, muitos consideram que a história do uniforme militar nacional teve início com Pedro I, o que não é exatamente verdade. Os padrões elaborados para a vestimenta de todos os soldados do Exército apareceram somente no início do século XVIII. Porém, eles foram introduzidos em solo já preparado.

Até o século XVII, o Exército russo, assim como a maioria das forças europeias, não tinha um padrão único para vestes militares. A espinha dorsal dos exércitos da época tinha a seguinte configuração: milícia nobre montada.

O pomeschik (senhor feudal na Rússia) recebia um lote de terra do Estado e, com a renda dela, tinha que se armar e participar de campanhas militares. Ele tinha que cumprir a norma em “termos equinos, humanos e bélicos”. Assim, equipavam-se dentro de suas possibilidades e do modo que considerasse aceitável.

É evidente que não se pensava aqui em nenhuma uniformização da roupa militar: os coloridos caftans russos (casaco até os joelhos abotoado pela frente) eram vistos junto a roupas de couro tártaras e armaduras polonesas obtidas como troféu de guerra. Esse tipo exército apresentava baixo desempenho em combate.


Moda streltsi

Em meados do século XVI, Ivan, o Terrível, decidiu formar as primeiras forças armadas regulares da Rússia. Surgiriam, então, os regimentos de streltsi (“flecheiros”), que contavam com 3.000 homens. Eles combatiam com um novo tipo de arma, os mosquetes manuais, vivem em quartéis nos arredores de Moscou, passaram a receber uma quantia regular e ganharam uniformes: um caftan com um corte específico e sem cor definida nos primeiros tempos. Registros de época revelaram a existência de caftans vermelhos, amarelo e azuis.

Streltsi russos


Com a aproximação da virada do século, a cor também foi uniformizada. Em 1606, um observador estrangeiro descreveu o regimento de infantaria de streltsi “com caftans de lã vermelhos e uma faixa branca no peito”. Nessa época, já havia um destacamento de streltsi montados, porém igualmente vestidos.

No início do século XVII, surgiu um tipo único de uniforme militar entre os streltsi russos e que se manteve inalterado até Pedro I. Era basicamente composto por um caftan longo abotoado da direita para a esquerda. O número de casas da abotoadura variava dependendo do regimento, e as dos oficiais eram feitas com fios de prata ou ouro. A cor do chapéu, botas e caftan também variava conforme o regimento.

Por cima do caftan era usado um zipun (tipo de casaco) da mesma cor. Na cabeça vinha um gorro alto de pele, geralmente valiosa, e na parte da frente do uniforme exibiam toda uma variedade de emblemas em ouro ou moedas.

Os oficiais carregavam consigo um tipo especial de lança chamado protazan. Era pela cor da empunhadura da protazan que se distinguiam os diferentes títulos militares. Um elemento essencial do equipamento de soldados de baixo escalão era a faixa branca que passava por cima do ombro e que guardava cargas de pólvora e uma sacola para as balas.


Disputa de estilo

As primeiras representações de uniformes russos foram feitas por ilustradores estrangeiros em meados do século XVII. “Os caftans deles”, escreveu um austríaco ao serviço do Exército russo, “eram bastante vistosos: em um regimento eram confeccionados com lã verde clara, e em outra, verde escuro, abotoados no peito, segundo os costumes russos, com cordões de ouro”.

Soldado russo em 1720


Segundo a opinião pública, a primeira pessoa a introduzir um uniforme militar unificado para seus soldados foi o inglês Oliver Cromwell, em 1645. A moda teria então se espalhado 30 anos mais tarde por todo o continente a partir da França.

Poucas pessoas sabem que na época descrita pelo escritor Alexandre Dumas em seu romance “Os Três Mosqueteiros”, os guardas reais franceses ainda não usavam a sua famosa capa azul com a cruz. Na realidade, ela foi introduzida apenas 50 anos mais tarde, na década de 1670, quando Charles d'Artagnan, o protótipo real do herói de Dumas, já não estava mais vivo.

Por isso, é de se imaginar que o caftan dos streltsi russos esteja entre os primeiros tipos de uniformes militares na Europa – ou até mesmo seja o primeiro de todos.

Fonte: Gazeta Russa


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A VERDADE SOBRE A RESISTÊNCIA FRANCESA: NEM TÃO AMPLA E NEM TÃO FRANCESA

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O historiador Robert Gildea desmonta a versão oficial do que 
aconteceu na França durante a ocupação nazista



Por Guillermo Altares


O discurso nacional que a França construiu depois da Segunda Guerra Mundial é que o país foi libertado pela Resistência, com alguma ajuda dos aliados, e que “salvo um punhado de miseráveis”, nas palavras do general Charles de Gaulle, o resto dos cidadãos se comportou como verdadeiros patriotas. Nada mais distante da realidade. O professor britânico Robert Gildea desmonta essa imagem nacional, que já estava bastante fissurada, em seu novo livro, Combatientes en la Sombra (Combatentes na sombra, em tradução livre), que traça um minucioso retrato da ocupação no qual, mais que de Resistência Francesa, ele prefere falar de “resistência na França” pelo enorme número de estrangeiros que se juntaram à luta contra o nazismo.


A França foi derrotada e ocupada pela Alemanha. Quando foi libertada e unificada de novo, criou-se uma história única que afirma que todo o país alcançou a liberdade unido sob a liderança de De Gaulle e esse relato foi propagado por meio de medalhas, cerimônias, títulos”, explica Robert Gildea, professor de História Moderna do Worcester College da Universidade de Oxford, cujo livro será publicado nesta semana na Espanha pela Taurus, com tradução de Federico Corriente. Os esquecidos nessa história não foram apenas os espanhóis que fugiram do franquismo, mas também judeus da Polônia ou da Romênia, os comunistas e as mulheres, cujo trabalho como resistentes também foi subestimado.


O livro ainda não foi publicado na França – está previsto para o ano que vem –, mas recebeu excelentes críticas no ano passado no mundo anglo-saxão em veículos de comunicação como The Economist e The New York Review of Books, cuja resenha assinada pelo grande historiador de Vichy Robert O. Paxton se intitulava “A verdade sobre a Resistência”. Gildea, que publicou outros ensaios sobre a história da França nos quais estuda o mesmo período, reconhece que a imagem ideal da sociedade francesa já havia sido questionada em filmes como o documentário A Dor e a Piedade ou Lacombe Lucien, longa-metragem de Louis Malle, que teve como roteirista o escritor Patrick Modiano, que ganhou o prêmio Nobel. No entanto, seu estudo de 650 páginas, que usa tanto fontes documentais quanto entrevistas, é o mais completo escrito até agora do ponto de vista crítico sobre a Resistência durante a ocupação, entre 1940 e 1944. O enorme sucesso alcançado na França pelas seis temporadas da série Un Village Français (Um Vilarejo Francês) demonstra o quanto continua sendo um tema delicado e sempre atual.


Temos de estudar o que aconteceu na França no contexto da luta na Europa contra o nazismo, mas também do Holocausto e da Guerra Fria. Muita gente da Resistência combateu nas Brigadas Internacionais; são o que Arthur Koestler, que compartilhou cativeiro com eles, chamou de 'escória da Terra' num livro, gente que não tinha para onde ir. Muitos republicanos foram presos na França. O objetivo deles era acabar primeiro com os nazistas e depois com Franco, de fato, fizeram uma tentativa fracassada de invadir a Espanha em 1944. O relato simplista da libertação nacional francesa só fornece uma parte da história, não toda”, continua Gildea em uma conversa telefônica.


O papel dos comunistas também foi muito importante, especialmente durante a libertação de Paris. Durante muitos anos houve um confronto entre as duas versões, a gaullista e a comunista. Em 1944, os nazistas capturaram um grupo de resistência formado por comunistas e judeus da Europa de Leste e o usou como propaganda dizendo que eram 'criminosos estrangeiros', mas havia algo de verdade nisso”, afirma.


O livro de Gildea não estuda apenas os grandes movimentos históricos, mas está cheio de personagens como Jean-Pierre Vernant, um dos grandes helenistas franceses, que foi uma figura muito importante na Resistência, mas nunca quis se vangloriar disso. Quando a guerra terminou, durante a qual arriscou a vida muitas vezes, voltou para seus livros e seus clássicos. Também aparece Lew Goldenberg, filho de revolucionários russos de origem judaica próximos de Rosa Luxemburgo, que se negou a aceitar o armistício, ou Leon Landini, um jovem toscano que participou do descarrilamento de um trem alemão em outubro de 1942, quando tinha 16 anos.


E, naturalmente, estão os republicanos espanhóis, não apenas os membros de La Nueve, a mítica brigada que foi a primeira a entrar em Paris em agosto de 1944 e cujo papel foi silenciado durante anos – só em 2008 foram inauguradas placas mostrando o seu percurso. No livro aparecem combatentes como Vicente López Tovar, nascido em Madri em 1909, que passou a juventude em Buenos Aires, lutou na defesa de Madri e na Batalha do Ebro e, depois de fugir para a França, participou da organização do maquis. “A Guerra Civil tinha nos endurecido muito”, disse o próprio López Tovar a Gildea.


“Depois do desembarque na Normandia, em junho de 1944, houve uma guerra civil dentro da Segunda Guerra Mundial, não somente entre os resistentes e os nazistas, mas também com a milícia, a força paramilitar de Vichy”, diz o professor de Oxford. Em relação à ocultação do papel desempenhado pelas mulheres, Gildea explica que só foram contempladas com medalhas aquelas que participaram de ações militares, enquanto muitas mulheres trabalharam na organização da resistência, papel tão perigoso quanto o combate, mas nunca totalmente reconhecido. Tudo isso não significa que os franceses não tiveram nenhum papel, mas não foram os únicos heróis daquela guerra.



"O que esses espanhóis todos estão fazendo desfilando?"


A libertação de Toulouse, em 19 de agosto de 1944, foi coordenada pelas forças lideradas por Jean-Pierre Vernant, mas os republicanos tiveram um papel essencial. De fato, regiões como o Périgord ou cidades como Foix foram liberadas diretamente pelos espanhóis, coisa que não agradou muito De Gaulle. Gildea relata que o general visitou Toulouse muito rapidamente porque não queria perder nenhum pingo do controle sobre os territórios dos quais os nazistas estavam sendo expulsos. 

Os republicanos participaram do desfile da libertação com os capacetes dos soldados alemães pintados de azul. Quando De Gaulle viu isso, exclamou: “O que estão fazendo todos esses espanhóis desfilando com as Forças Francesas livres?”. É uma anedota que, para o historiador britânico, reflete a profunda mudança que estava acontecendo na narração da Resistência e na tomada do poder na França.


Fonte: El País

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